A prematuridade configura-se atualmente como um importante problema de saúde pública mundial, estando associada a elevados índices de morbimortalidade neonatal e a múltiplos riscos ao desenvolvimento infantil. Entre as principais repercussões decorrentes do nascimento pré-termo, destacam-se as alterações auditivas relacionadas à imaturidade do sistema nervoso central e à exposição do recém-nascido a fatores de risco presentes na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), como ruídos intensos, hipóxia, hiperbilirrubinemia e uso de medicamentos ototóxicos. Essas alterações podem comprometer significativamente o desenvolvimento da linguagem oral, especialmente nos primeiros anos de vida, período considerado fundamental para a maturação neurossensorial e aquisição das habilidades comunicativas. Este estudo teve como objetivo analisar as implicações das alterações auditivas decorrentes da prematuridade no desenvolvimento da linguagem em crianças nos primeiros anos de vida. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, descritiva e exploratória, realizada a partir de estudos publicados entre 2015 e 2025, selecionados nas bases SciELO, PubMed/MEDLINE, LILACS e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). A amostra final foi composta por 20 artigos científicos, submetidos à análise descritiva, interpretativa e comparativa. Os resultados evidenciaram que recém-nascidos prematuros apresentam maior suscetibilidade a alterações auditivas, associadas à imaturidade das vias auditivas e a fatores como baixo peso ao nascer, ventilação mecânica, hiperbilirrubinemia, hipóxia, exposição a medicamentos ototóxicos, infecções neonatais e internação prolongada em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. Verificou-se, ainda, que alterações auditivas precoces podem repercutir na discriminação dos sons da fala, no vocabulário, na compreensão e na expressão oral, com possíveis efeitos posteriores sobre a aprendizagem e as interações sociais. Conclui-se que a Triagem Auditiva Neonatal (TAN), embora fundamental, deve estar articulada ao acompanhamento audiológico longitudinal e à intervenção fonoaudiológica precoce, de modo que favoreça a identificação oportuna das alterações e minimizar seus impactos sobre o desenvolvimento linguístico e global da criança prematura.