O uso excessivo de dispositivos digitais entre adolescentes consolidou-se como fenômeno de relevância para a saúde pública contemporânea, com repercussões que ultrapassam a esfera comportamental e alcançam a organização das ocupações cotidianas. Este estudo teve como objetivo analisar, por meio de revisão integrativa da literatura, as repercussões do uso excessivo de telas no desempenho ocupacional e na saúde mental de adolescentes. Tratase de revisão integrativa, de abordagem qualitativa e natureza descritiva, conduzida segundo as seis etapas propostas por Mendes, Silveira e Galvão (2008), com buscas realizadas na Biblioteca Virtual em Saúde, na Scientific Electronic Library Online, na PubMed e no Google Acadêmico, mediante combinação de descritores em saúde e operadores booleanos, contemplando publicações do período de 2015 a 2026 nos idiomas português, inglês e espanhol. O corpus final reuniu quinze estudos, submetidos à análise temática de conteúdo, da qual emergiram quatro categorias: desorganização das rotinas e desequilíbrio ocupacional; comprometimento do sono como ocupação estruturante; sofrimento psíquico e sintomatologia ansiosa e depressiva; e prejuízos ao desempenho escolar e à participação social. Os achados evidenciaram associação consistente entre exposição diária superior a quatro horas e maior prevalência de sintomas depressivos, ansiosos e de estresse, além de redução da duração e da qualidade do sono, diminuição da prática de atividade física e enfraquecimento das interações presenciais. A literatura longitudinal, contudo, sugere que a magnitude dessas associações se atenua ao longo do tempo, o que recomenda cautela quanto a inferências causais. Conclui-se que o uso excessivo de telas configura fator de risco modificável, cuja abordagem requer intervenções que restaurem o equilíbrio ocupacional, campo no qual a Terapia Ocupacional detém competência específica.