A voz é um instrumento essencial para o exercício da docência, e seu uso contínuo pode ocasionar sintomas vocais e repercussões na qualidade de vida dos professores. Este estudo teve como objetivo examinar a autopercepção vocal e seus impactos na qualidade de vida de professores do ensino infantil e fundamental de uma escola privada de Juazeiro do Norte, Ceará. Tratou-se de um estudo observacional, transversal, descritivo e quantitativo, realizado com 15 professores selecionados por conveniência. Para a coleta dos dados, foram aplicados um questionário sociodemográfico e profissional e o Questionário de Qualidade de Vida em Voz. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva. Houve predominância do sexo feminino (80,0%), e a idade média dos participantes foi de 37,4 anos. A presença de queixa vocal foi relatada por 53,3% dos docentes, enquanto 80,0% perceberam piora da voz ao final do expediente. Os sintomas mais frequentes foram rouquidão, falhas na voz, cansaço vocal e esforço ao falar. O escore médio total do Questionário de Qualidade de Vida em Voz foi de 86,83 pontos, sendo observada maior média no domínio socioemocional (91,25) e menor média no domínio físico (83,89). Os professores com queixa vocal apresentaram, descritivamente, menores médias no escore total e no domínio físico. Concluiu-se que, apesar dos escores relativamente elevados de qualidade de vida relacionada à voz, foram frequentes as queixas e a piora vocal ao final do expediente, com maior repercussão percebida nos aspectos físicos. Os achados reforçam a importância de ações de promoção da saúde vocal no ambiente escolar, do reconhecimento precoce dos sintomas e do encaminhamento, quando necessário, para avaliação especializada por fonoaudiólogo e médico otorrinolaringologista.