O uso de cigarros eletrônicos tem aumentado significativamente, especialmente entre adolescentes e adultos jovens, sendo frequentemente associado à percepção de que esses dispositivos apresentam menor risco à saúde quando comparados ao cigarro convencional. Entretanto, a exposição ao aerossol produzido pelos cigarros eletrônicos pode estar relacionada a diferentes alterações na cavidade oral. O presente estudo teve como objetivo avaliar, por meio de revisão de literatura, as alterações orais associadas ao uso de cigarros eletrônicos. Trata-se de uma revisão de literatura do tipo narrativa, realizada mediante levantamento bibliográfico na base de dados PubMed, utilizando os descritores “Electronic Nicotine Delivery Systems”, “e-cigarette”, “vaping” e “oral health”, combinados pelos operadores booleanos AND e OR. Foram considerados artigos publicados entre 2020 e 2025, em língua inglesa, disponíveis gratuitamente na íntegra e relacionados diretamente à temática. Após a aplicação dos critérios de elegibilidade, foram identificados 31 artigos, dos quais 11 foram selecionados para leitura completa. Os resultados demonstraram associação entre o uso de cigarros eletrônicos e alterações periodontais, acúmulo de biofilme, disbiose da microbiota oral, inflamação gengival, cárie dentária, xerostomia, alterações da mucosa e língua, estomatite nicotínica e alterações gustativas. Também foram observados efeitos celulares e moleculares, como estresse oxidativo, danos ao DNA e citotoxicidade, além de lesões traumáticas decorrentes de explosões ou falhas dos dispositivos. Conclui-se que o uso de cigarros eletrônicos está associado a diferentes alterações na saúde bucal, embora a literatura ainda apresente limitações metodológicas e resultados heterogêneos. Dessa forma, são necessários estudos longitudinais e com maior qualidade metodológica para esclarecer os efeitos da exposição prolongada e subsidiar ações preventivas e de promoção da saúde bucal.