A osteonecrose dos maxilares relacionada a medicamentos (ONMRM),
internacionalmente denominada medication-related osteonecrosis of the jaw
(MRONJ), constitui evento adverso raro, porém potencialmente grave, observado
principalmente em indivíduos expostos a agentes antirreabsortivos e
antiangiogênicos. O objetivo deste artigo foi analisar, à luz da literatura científica de
acesso aberto, os principais fármacos associados à ONMRM, sua fisiopatologia,
fatores de risco, manifestações clínicas, critérios diagnósticos, estratégias preventivas
e possibilidades terapêuticas. Foi realizada revisão integrativa da literatura, com busca
de publicações em PubMed/MEDLINE, SciELO e fontes indexadas de acesso aberto,
priorizando estudos publicados entre 2016 e 2026 e incluindo documentos anteriores
quando indispensáveis à definição conceitual ou à evolução histórica do tema. A
literatura demonstra que bisfosfonatos, denosumabe e determinados agentes
antiangiogênicos apresentam associação mais consolidada com a doença, enquanto
terapias-alvo, imunomoduladores e outros fármacos vêm sendo investigados. A
ocorrência é marcadamente superior em pacientes oncológicos submetidos a
esquemas de maior potência e dose cumulativa do que em pacientes tratados para
osteoporose. Extrações dentárias, infecções odontogênicas, doença periodontal,
trauma local, duração da terapia e uso concomitante de outros medicamentos
constituem importantes modificadores de risco. O diagnóstico permanece
essencialmente clínico, apoiado por exames de imagem e exclusão de
osteorradionecrose e doença metastática. A prevenção odontológica antes e durante
a terapia farmacológica representa a estratégia de maior impacto, enquanto o
tratamento deve ser individualizado segundo estágio, sintomas, extensão da lesão e
condição sistêmica. Conclui-se que a ONMRM exige abordagem interdisciplinar,
reconhecimento precoce e equilíbrio entre o controle da doença de base e a redução
da morbidade maxilofacial.