A expansão das tecnologias digitais e o acesso cada vez mais precoce à internet
transformaram significativamente a infância contemporânea, influenciando
comportamentos, formas de socialização e a construção da identidade de crianças
e adolescentes. Nesse cenário, o fenômeno da adultização infantil passou a
adquirir maior relevância, especialmente diante da intensa presença das redes
sociais, da lógica de validação digital baseada em curtidas e visualizações, da
monetização da imagem infantil e da crescente influência exercida por algoritmos
e sistemas de inteligência artificial. A exposição precoce a conteúdos
inadequados, padrões estéticos irreais, práticas de sexualização e estímulos
voltados ao consumo evidencia novos desafios relacionados à preservação do
desenvolvimento saudável e da dignidade da criança no ambiente virtual. O
presente trabalho tem como objetivo analisar os impactos da internet, das redes
sociais e da inteligência artificial no processo de adultização infantil, investigando
seus reflexos psicossociais e os desafios enfrentados pelo ordenamento jurídico
brasileiro na proteção da infância no ambiente digital. Busca-se compreender de
que maneira o uso precoce das tecnologias influencia a formação da identidade
infantil, bem como examinar os instrumentos jurídicos existentes voltados à
garantia dos direitos fundamentais de crianças e adolescentes diante das novas
vulnerabilidades digitais. A pesquisa possui natureza qualitativa, de caráter
exploratório e descritivo, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica,
documental, legislativa e jurisprudencial, utilizando-se do método dedutivo como
instrumento de análise. O estudo fundamenta-se na Constituição Federal de 1988,
no Estatuto da Criança e do Adolescente, no Marco Civil da Internet, na Lei Geral
de Proteção de Dados Pessoais e nas recentes atualizações legislativas
relacionadas à proteção digital da infância, além de doutrina especializada,
jurisprudência dos tribunais superiores e documentos institucionais. Os resultados
demonstram que, embora o Brasil possua mecanismos jurídicos relevantes
voltados à tutela prioritária da infância, a velocidade das transformações
tecnológicas frequentemente supera a capacidade de resposta normativa,
ampliando riscos relacionados à superexposição da imagem infantil, sexualização
precoce, manipulação algorítmica, coleta excessiva de dados pessoais,
cyberbullying e vulnerabilidades decorrentes do ambiente digital. Conclui-se que
o enfrentamento da adultização infantil exige atuação conjunta entre família,
escola, Estado e plataformas digitais, bem como fortalecimento da educação
digital crítica, das políticas públicas e dos instrumentos jurídicos destinados à
proteção dos direitos fundamentais de crianças e adolescentes, garantindo um
ambiente virtual mais seguro, ético e compatível com sua condição peculiar de
pessoas em desenvolvimento.