O presente estudo tem como objetivo geral analisar a adultização infantil e sua relação com a
exploração de crianças e adolescentes no Brasil. A adultização infantil, compreendida como a
atribuição feita precoce de comportamentos, responsabilidades e sexualização que são próprios
de uma vida adulta, tem se tornado um fenômeno crescente no Brasil e apresenta estreita relação
com situações de exploração sexual de crianças e adolescentes. Embora tenham sido alcançados
importantes avanços com relação às legislações que asseguram o princípio da proteção integral,
tal como a Constituição Federal de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA),
verifica-se que existe uma tendência ao enfraquecimento da implementação desses direitos,
indicando uma fragilização da proteção integral no cenário atual. A erotização induzida por
meio das mídias digitais, das propagandas, do consumo e da existência de desigualdades
estruturais contribui para a naturalização da condição de vulnerabilidade infantil, impedindo
que seja percebida como violação de direitos humanos. Casos recentes amplamente divulgados
pela mídia, como o caso do influenciador Hytalo Santos, embora não constituam o foco central
deste estudo, ilustram como a adultização pode ser instrumentalizada para fins econômicos e
de exposição digital, evidenciando falhas na atuação estatal. O presente trabalho, por meio de
abordagem jurídico-social e método de pesquisa bibliográfica e legislativa, analisa os
mecanismos que sustentam a adultização infantil no contexto da exploração sexual, bem como
as barreiras à efetivação da proteção integral e suas implicações socioculturais. Busca-se, assim,
contribuir para o debate acadêmico a partir de reflexões sobre políticas públicas, educação
crítica e fortalecimento da rede de proteção infantojuvenil. A questão principal deste estudo
reside na investigação sobre como a adultização infantil se relaciona com a redução das
garantias de proteção e a elevada vulnerabilidade das crianças e adolescentes à exploração
sexual no Brasil contemporâneo. Com base na hipótese de que, apesar do forte aparato legal de
proteção à infância, essa proteção acaba sendo desnaturalizada pelos elementos socioculturais,
econômicos e tecnológicos que naturalizam a sexualização infantil e a adultização.