A violência contra a mulher foi analisada nesta pesquisa como uma das violações de
direitos humanos mais persistentes na sociedade brasileira, manifestando-se por
meio de agressões físicas, psicológicas, morais, patrimoniais e sexuais. O estudo
partiu da necessidade de compreender como o Poder Judiciário percebe e enfrenta,
na prática jurisdicional, os casos relacionados à violência doméstica e de gênero,
considerando a distância ainda existente entre a proteção prevista na legislação e a
realidade vivenciada por muitas mulheres. A pesquisa teve como objetivo geral
analisar, a partir da percepção de magistrados, como o Judiciário identifica e
enfrenta as múltiplas formas de violência contra a mulher. Como objetivos
específicos, buscou-se identificar as formas de violência mais recorrentes nos
processos judiciais, compreender como os magistrados percebem situações
envolvendo desigualdade de gênero e misoginia, além de refletir sobre a efetividade
das medidas protetivas e os desafios enfrentados pelo sistema de justiça. A
metodologia utilizada possui natureza qualitativa, caráter descritivo e exploratório,
sendo desenvolvida por meio de revisão bibliográfica e pesquisa de campo realizada
com oito magistrados da comarca de Campina Grande/PB. Para a coleta de dados,
utilizou-se questionário composto por perguntas abertas, posteriormente analisadas
de forma qualitativa. Os resultados demonstraram que a violência física e
psicológica aparecem com maior frequência nos processos analisados,
frequentemente associadas ao controle, ao sentimento de posse e às desigualdades
de gênero presentes nas relações abusivas. As respostas também evidenciaram
limitações estruturais relacionadas à fiscalização das medidas protetivas, à ausência
de equipes multidisciplinares e à sobrecarga do sistema judicial. Por fim, verificou-se
que o enfrentamento da violência contra a mulher exige não apenas aplicação da
norma jurídica, mas também fortalecimento das políticas públicas, atuação
institucional integrada e transformação cultural capaz de enfrentar estruturas
históricas que ainda perpetuam violências e desigualdades de gênero.