A obesidade constitui condição crônica,recorrente,multifatorial e de elevada relevância em saúde pública, associada ao aumento do risco de diabetes mellitus tipo 2, doenças cardiovasculares ,dislipidemias e outrascondições crônicas. Nessecenário, medicamentos com ação incretínica, especialmente agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1) e fármacos relacionados, ganharam destaque pela capacidade de reduzir o apetite, aumentar a saciedade e favorecer a perda ponderal quando associados a mudanças no estilo de vida e acompanhamento profissional. O crescimento daprocura por produtos como semaglutida, liraglutida e tirzepatida,entretanto, ampliou preocupações quanto ao uso sem indicação clínica, à automedicação,à aquisição irregular, à falsificação e à ocorrência de eventos adversos. Este artigo tem como objetivo analisar, por meio de revisão bibliográfica narrativa e documental, o uso de agonistas de GLP-1 e fármacos incretínicos relacionados no manejo do peso corporal, discutindo as implicações sanitárias da dispensação com retenção de receitaem drogarias. Foram examinados artigos científicos publicados entre janeiro de 2014 e junho de 2026, diretrizes clínicas e documentos normativos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com ênfasena RDC nº 973/2025 ena INnº 360/2025.Os achados indicam que a retenção de receita fortalece a rastreabilidade, amplia a responsabilidade técnica do farmacêutico e tende a reduzir práticas de uso indiscriminado. Conclui-se que esses medicamentos representam avanço terapêutico relevante no manejo da obesidade,mas
seu uso seguro depende de prescrição adequada , acompanhamento multiprofissional ,orientação farmacêutica qualificada e cumprimento rigoroso da legislação sanitária.