A Leishmaniose Visceral Canina (LVC) é uma enfermidade zoonótica de grande relevância para a saúde pública e para a medicina veterinária, tendo os cães como principais reservatórios urbanos do agente etiológico, Leishmania infantum. Entre as diversas alterações sistêmicas associadas à infecção, o comprometimento renal destaca-se como a principal causa de mortalidade, podendo evoluir para Doença Renal Crônica (DRC) é feito o estadiamento. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo reunir e analisar criticamente as evidências científicas acerca da DRC em cães acometidos por LVC, abordando aspectos epidemiológicos, fisiopatológicos, clínicos, laboratoriais, diagnósticos e terapêuticos. Foi realizada uma revisão de literatura descritiva, utilizando artigos científicos, dissertações, teses e diretrizes técnicas obtidos nas bases de dados PubMed, SciELO, Google Scholar e CAPES. Os resultados demonstraram que a deposição de imunocomplexos nos glomérulos renais constitui o principal mecanismo envolvido no desenvolvimento das lesões renais, desencadeando glomerulonefrite, inflamação tubulointersticial, fibrose e perda progressiva da função renal. Observou-se ainda que alterações laboratoriais, como proteinúria persistente, azotemia, hiperproteinemia, hipergamaglobulinemia e hipoalbuminemia, são achados frequentes e fundamentais para o diagnóstico e monitoramento da doença. Conclui-se que o comprometimento renal exerce papel determinante no prognóstico da LVC, tornando indispensáveis o diagnóstico precoce, o monitoramento contínuo da função renal e a instituição de medidas terapêuticas adequadas, visando aumentar a sobrevida e a qualidade de vida dos cães acometidos.