O artigo investiga a problemática da responsabilidade civil por danos causados por sistemas de inteligência artificial (IA) no ordenamento jurídico brasileiro, com foco específico na redefinição do nexo causal diante da opacidade algorítmica e do comportamento emergente de sistemas de aprendizado profundo. O objetivo geral consiste em analisar criticamente os regimes de responsabilidade civil aplicáveis aos danos decorrentes da utilização da IA, examinando a tensão dogmática entre o regime objetivo do parágrafo único do artigo 927 do Código Civil e o modelo dualista proposto pelo PL nº 2.338/2023, bem como as objeções econômicas à expansão da responsabilidade sem culpa. Quanto à metodologia, emprega-se pesquisa bibliográfica e documental, com abordagem qualitativa e método dedutivo, mediante revisão sistemática da doutrina civilista nacional e estrangeira, da legislação pertinente (Código Civil, Código de Defesa do Consumidor, Lei Geral de Proteção de Dados e PL nº 2.338/2023) e análise crítica do direito comparado europeu, distinguindo-se rigorosamente o Regulamento (UE) 2024/1689 (AI Act) diploma de mercado interno, de natureza regulatória ex ante e de conformidade de produto da Diretiva (UE) 2024/2853, esta sim de natureza civilista e que reformulou o conceito de produto para abranger software e sistemas de IA. A pesquisa jurisprudencial empírica considerou precedentes específicos do TJSP e do STJ, com indicação de número de processo, relatoria e fundamentos determinantes. Os resultados demonstram que o regime brasileiro, ancorado nas cláusulas gerais do artigo 927 do Código Civil e na teoria do risco, oferece ferramentas parciais, persistindo lacunas estruturais quanto à imputação na cadeia produtiva da IA generativa, à facilitação probatória e à tutela coletiva dos danos algorítmicos. Conclui-se pela necessidade de disciplina normativa específica que combine modelo gradual de responsabilização baseado em risco com mecanismos de presunção relativa de causalidade, repartição solidária entre desenvolvedores de modelos fundacionais e customizadores locais, seguro obrigatório atuarialmente sustentável e fundo compensatório subsidiário, equilibrando-se a tutela das vítimas e o estímulo à inovação.
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Tipo De Obra: TCC
Classificação Temática: DIREITO
Ano: 2026
Cutter: S729
Publicação: 07-07-2026
Nº Páginas: 46
Autores:
JULIANA MARIA DA SILVA SOUZA (souzajulyana@outlook.com)

Orientadores: 
M.Sc. ADEL MALEK HANNA (Lattes)

Dr(a) ADEL MALEK HANNA (Lattes)

Palavras-Chave: 
  •  PL nº 2.338/2023
  • Autonomia Algorítmica
  • Diretiva (UE) 2024/2853
  • Nexo Causal
  • Opacidade
Keywords: 
  • Algorithmic Autonomy
  • Brazilian Bill 2.338/2023
  • Causal Nexus 
  • Directive (EU) 2024/2853
  • opacity