A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) constitui um ambiente de elevada complexidade destinado à assistência de pacientes críticos, no qual a permanência prolongada está associada a repercussões clínicas, emocionais e sociais significativas, especialmente para os familiares. Nesse contexto, a enfermagem desempenha papel fundamental na articulação entre o cuidado técnico e as práticas humanizadas. O presente estudo teve como objetivo analisar as estratégias de enfermagem frente à longa permanência de pacientes em UTI, com ênfase na comunicação terapêutica, acolhimento e participação familiar. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, realizada nas bases de dados LILACS, BDENF, SciELO e MEDLINE/PubMed, abrangendo publicações entre 2010 e 2025. A amostra final foi composta por oito estudos selecionados conforme critérios previamente estabelecidos. Os resultados evidenciaram que a internação prolongada em UTI provoca intenso impacto emocional nos familiares, manifestado por sentimentos de ansiedade, medo e insegurança, além de alterações na dinâmica familiar. Estratégias como comunicação clara e empática, inclusão da família no cuidado, flexibilização das visitas e suporte emocional mostraram-se essenciais para qualificar a assistência e fortalecer o vínculo entre equipe, paciente e familiares. Entretanto, destacam-se limitações relacionadas à sobrecarga de trabalho, insuficiência de recursos humanos e predominância de práticas tecnicistas, fatores que dificultam a efetivação da humanização do cuidado. Conclui-se que a adoção de estratégias humanizadas pela enfermagem é fundamental para a qualificação da assistência intensiva, sendo necessários investimentos em capacitação profissional, suporte institucional e implementação de protocolos assistenciais centrados no paciente e na família.