A endocardiose da válvula mitral, também denominada degeneração mixomatosa da
valva atrioventricular esquerda, representa a cardiopatia adquirida mais frequente em
cães de pequeno a médio porte, especialmente em raças como Poodle, Dachshund,
Cavalier King Charles Spaniel e Shih Tzu. Essa enfermidade é caracterizada pela
degeneração progressiva dos folhetos valvares, o que compromete o fechamento
adequado da valva e culmina em insuficiência mitral. O refluxo sanguíneo resultante
provoca sobrecarga volumétrica das câmaras cardíacas esquerdas, levando,
gradualmente, ao remodelamento cardíaco e, em estágios avançados, à insuficiência
cardíaca congestiva. Este estudo tem como objetivo avaliar e descrever os achados
ecocardiográficos e as manifestações clínicas de um cão diagnosticado com
endocardiose da válvula mitral em estágio D da doença, atendido em uma clínica
veterinária no município do Rio de Janeiro. Para tal, realizou-se a análise dos critérios
de estadiamento propostos pelo American College of Veterinary Internal Medicine
(ACVIM), relacionando-os às alterações ecocardiográficas e às manifestações clínicas
evidenciadas no paciente. O exame ecocardiográfico evidenciou espessamento e
movimento anormal dos folhetos da valva mitral, regurgitação mitral de intensidade
acentuada, aumento do átrio e do ventrículo esquerdos, além de alterações nos
índices de função cardíaca, como o diâmetro diastólico final. Clinicamente, foram
observados sinais compatíveis com estágio avançado da doença, como tosse
persistente, intolerância ao exercício, dificuldade respiratória e presença de sopro
cardíaco audível à auscultação. Além disso, analisaram-se as implicações
prognósticas e terapêuticas conforme a evolução clínica do paciente. A evolução do
caso permitiu correlacionar a gravidade das alterações ecocardiográficas com a
intensidade das manifestações clínicas observadas, evidenciando o impacto da
progressão da disfunção valvar sobre a condição clínica do animal. Dessa forma, este
relato reforça a importância do diagnóstico precoce, do monitoramento contínuo e da
intervenção terapêutica adequada como fatores determinantes para o controle da
doença e para a manutenção da qualidade de vida dos pacientes acometidos.