A quiropterofauna desempenha papel ecológico essencial em ecossistemas tropicais e urbanos, atuando na dispersão de sementes, polinização e controle de insetos, ao mesmo tempo em que participa de interfaces sanitárias relevantes, tais como a propagação do vírus da raiva, histoplasmose e outras zoonoses. Este trabalho teve como objetivo avaliar a diversidade, o uso do habitat e o risco zoonótico associado à quiropterofauna do corredor ecológico urbano situado ao Sudoeste do Parque Estadual do Sítio do Rangedor, no município de São Luís, Maranhão. As campanhas de campo foram realizadas entre fevereiro e maio de 2026, com uso de redes de neblina, busca ativa diurna, registros ambientais e coleta de amostras biológicas. Foram capturados 14 morcegos, distribuídos em cinco espécies da família Phyllostomidae: Phyllostomus discolor, Glossophaga soricina , Artibeus obscurus , Artibeus planirostris , Carollia brevicauda e foi confirmada a presença de Desmodus Rotundus na área de estudo por meio de cameras-trap. Entre os indivíduos capturados, 78,6% eram adultos, 21,4% juvenis, 71,4% apresentavam ectoparasitas visíveis. Foram relatadas interações diretas entre os moradores da região com a fauna de morcegos; reclamações de agressões por parte dos hematófagos aos animais domésticos e a presença de guano em residências.
Conclui-se que o corredor ecológico estudado exerce função relevante como área de alimentação, deslocamento e abrigo para morcegos urbanos, sendo necessária a conservação desses fragmentos e a implantação de ações educativas baseadas em Saúde Única, com foco na convivência segura entre humanos e morcegos.
Palavras-chave: Quiropterofauna. Morcegos hematófagos. Saúde Única. Risco zoonótico. Corredor ecológico.