O presente trabalho consiste em monografia de conclusão de curso, elaborada com o objetivo de analisar como os tribunais brasileiros estão respondendo aos casos de uso inadequado de ferramentas de inteligência artificial pela advocacia privada, à luz dos deveres éticos de diligência e responsabilidade previstos no Código de Ética da OAB e na Recomendação N. 001/2024, diante da ausência de legislação específica sobre o tema. A pesquisa adota a metodologia exploratória e descritiva, sendo realizada por meio de revisão de literatura e pesquisa jurisprudencial nos portais eletrônicos dos Tribunais de Justiça estaduais e superiores do Brasil, com coleta de decisões proferidas entre 2022 e 2026, utilizando termos de busca como "inteligência artificial", "advogado", "responsabilidade profissional" e "má-fé", de forma isolada ou combinada com operadores booleanos. Foram identificados 91 casos, apenas no período de 2025 a 2026, o que evidencia a acelerada incorporação das ferramentas de inteligência artificial generativa à prática forense sem a devida supervisão profissional nos últimos anos. Os resultados revelaram em maior quantidade a citação de jurisprudências e súmulas fictícias, presente em 86 dos 91 casos analisados, o equivalente a 94,5% do total. A maior concentração de casos foi identificada na região Sudeste, com 29 registros, seguida pelas regiões Sul, Centro-Oeste, Norte e Nordeste. A esfera civil concentrou 66 ocorrências, seguida pela criminal, trabalhista, eleitoral e constitucional. As sanções aplicadas pelos tribunais se fundamentaram, em sua maioria, nos artigos 80 e 81 do Código de Processo Civil, por meio da expedição de ofícios à OAB e da imposição de multa pecuniária, sendo a Recomendação OAB N. 001/2024 utilizada como suporte argumentativo. A pesquisa identificou disparidades na aplicação das sanções e controvérsias quanto à configuração da má-fé processual, apontando para a ausência de uniformidade regulatória no tratamento dessas condutas. Conclui-se que os tribunais brasileiros têm respondido às condutas identificadas por meio dos instrumentos normativos disponíveis, mesmo que de forma não uniforme, confirmando a hipótese de que o uso de ferramentas de inteligência artificial sem supervisão profissional adequada representa risco concreto à responsabilidade do advogado e à integridade dos atos processuais, sendo cabível às autoridades competentes a construção de um marco regulatório específico sobre o tema.
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Tipo De Obra: TCC
Classificação Temática: DIREITO
Ano: 2026
Cutter: C871r
Publicação: 19-10-2026
Nº Páginas: 35
Autores:
PAULO HENRIQUE MENDES COUTO (---)

Orientadores: 
Esp. DANDARA DA SILVA VALENCIO (Lattes)

Palavras-Chave: 
  • Advocacia Privada
  • Inteligência Artificial
  • Litigância de má-fé
  • Responsabilidade profissional
  • Riscos Algorítmicos
Keywords: 
  • Algorithmic Risks
  • Artificial Intelligence
  • Bad-Faith Litigation
  • Private Practice
  • Professional Liability