RESUMO
Este estudo analisa a transformação da farmácia comunitária no Brasil, que evoluiu de um estabelecimento puramente comercial para uma unidade de prestação de serviços de saúde, consolidada pela Lei nº 13.021/2014. O objetivo é investigar como esse conceito tem sido implementado pelas grandes redes farmacêuticas e identificar os desafios inerentes à prática clínica profissional. Para tanto, realizou-se uma pesquisa qualitativa, de caráter descritivo e exploratório, fundamentada em revisão bibliográfica e análise documental das redes Raia Drogasil, Pague Menos e Grupo DPSP. Os resultados demonstram a consolidação do modelo de "hub de saúde", com a implementação de consultórios, vacinação e Testes Laboratoriais Remotos (TLRs) amparados pela RDC nº 786/2023. Contudo, observou-se que, embora a infraestrutura tenha avançado, a subutilização dos serviços clínicos revela uma persistente tensão entre os modelos assistencial e mercantil. Conclui-se que a autonomia plena do farmacêutico e a eficácia do cuidado ao paciente ainda são limitadas pela sobrecarga burocrática, cultura da automedicação e métricas de desempenho focadas em vendas. A transição para o modelo de cuidado é real, mas exige uma revisão das estratégias organizacionais e a integração de dados clínicos para que o papel social e sanitário da farmácia comunitária seja plenamente atingido.
Palavras-chave: Farmácia comunitária. Assistência farmacêutica. Serviços clínicos. Atenção primária à saúde. Uso racional de medicamentos.
ABSTRACT
This study analyzes the transformation of community pharmacy in Brazil, which has evolved from a purely commercial establishment into a health services unit, as consolidated by Law No. 13,021/2014. The objective is to investigate how this concept has been implemented by major pharmacy chains and to identify the challenges inherent in professional clinical practice. To this end, qualitative research of a descriptive and exploratory nature was conducted, based on a literature review and documentary analysis of the Raia Drogasil, Pague Menos, and Grupo DPSP chains. The results demonstrate the consolidation of the "health hub" model, featuring the implementation of consulting rooms, vaccination services, and Point-of-Care Testing (PoCT) supported by RDC No. 786/2023. However, it was observed that although infrastructure has advanced, the underutilization of clinical services reveals a persistent tension between the care-based and mercantile models. The study concludes that full pharmacist autonomy and the effectiveness of patient care are still limited by bureaucratic overload, a culture of self-medication, and performance metrics focused on sales. The transition to a care-centered model is real but requires a revision of organizational strategies and the integration of clinical data so that the social and sanitary role of the community pharmacy can be fully achieved.
Keywords: Community pharmacy. Pharmaceutical care. Clinical services. Primary health care. Rational use of medicines.