A contemporaneidade impõe à área da educação o desafio de responder com agilidade e criticidade às intensas transformações tecnológicas, sociais e culturais que reconfiguram as dinâmicas humanas. As tecnologias digitais de informação e comunicação deixaram de ser meros canais opcionais de transmissão para se transformarem em ambientes onde as juventudes constroem identidades, saberes e conexões. Diante deste cenário, o presente artigo científico tem como objetivo geral analisar o papel mediador do professor da Educação Básica e o uso de ferramentas digitais na transição de modelos educacionais passivos para uma práxis pedagógica verdadeiramente crítica, dialógica e emancipatória. Para sustentar esta reflexão, a metodologia adotada constitui-se de uma pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa, fundamentada no cruzamento teórico de matrizes consolidadas da educação e da inovação. Utilizam-se os pressupostos da pedagogia histórico-crítica de Dermeval Saviani, a didática estrutural de José Carlos Libâneo e a educação para a autonomia de Paulo Freire; de outro lado, as abordagens contemporâneas sobre ensino híbrido e metodologias ativas defendidas por Lilian Bacich e José Moran. No núcleo deste debate, constata-se que a simples introdução de computadores, tablets ou plataformas digitais no cotidiano escolar não é sinônimo automático de inovação e, muito menos, de libertação. Sem uma reflexão epistemológica sobre o ato de ensinar, os dispositivos virtuais correm o risco de atuar apenas como novos suportes para velhas práticas excludentes, consolidando o que Freire denominou como pedagogia bancária. Nessa modalidade travestida de modernidade tecnológica, o estudante continua sendo um receptáculo passivo, agora bombardeado por informações em telas, enquanto o docente se limita a gerenciar o envio de tarefas padronizadas, esvaziando o potencial criativo do processo pedagógico. Para romper com essa engrenagem de passividade, Libâneo destaca a urgência de uma didática que organize o ensino de forma intencional, onde o conhecimento científico e as ferramentas disponíveis sejam mobilizados para impulsionar o desenvolvimento cognitivo e social dos educandos. O professor, portanto, não é substituído pela tecnologia, mas sua função se eleva à categoria de mediador essencial. É o docente quem desenha os roteiros de aprendizagem, estabelece pontes entre o saber cotidiano dos estudantes e o saber sistematizado, e fomenta a problematização da realidade através dos recursos midiáticos. Complementando essa visão, Saviani nos lembra que a função primordial da escola consiste na democratização do acesso aos conhecimentos universais e historicamente acumulados. Na era digital, essa premissa ganha um novo contorno: o letramento digital e a capacidade de ler criticamente a mídia tornam-se ferramentas indispensáveis para a cidadania plena e para a inserção social. O acesso à tecnologia na escola pública deve, portanto, servir para diminuir o abismo da dantesca desigualdade, proporcionando aos alunos das classes populares não apenas a capacidade técnica de operar sistemas, mas a competência crítica para questionar as informações consumidas na internet, identificar desinformações e atuar como produtores de cultura e conhecimento científico. É nesse horizonte que as contribuições de Bacich e Moran se revelam aliadas potentes da pedagogia emancipatória. O ensino híbrido surge não como uma mera alternância entre momentos presenciais e virtuais, mas como um modelo que favorece a personalização da aprendizagem e a valorização do protagonismo estudantil. Quando a escola adota estratégias baseadas em metodologias ativas, as salas de aula transformam-se em laboratórios de coautoria, criatividade e resolução de problemas complexos. Os ambientes virtuais e as plataformas de aprendizagem passam a ser utilizados para que o aluno pesquise, colabore em projetos de intervenção social, debata com seus pares e exercite a autogestão de seus estudos. A tecnologia, deste modo, é convertida em um instrumento de humanização e diálogo, onde a tela deixa de ser um fator de isolamento e se consolida como uma janela para a interação solidária e a construção coletiva do saber no espaço escolar. Os resultados apontados pela análise teórica revelam que o maior obstáculo para a efetivação dessa escola inovadora e crítica não se localiza na ausência material de infraestrutura de rede, embora as carências estruturais ainda persistam no cenário nacional, mas sim nas lacunas da formação docente inicial e continuada. A transição para uma pedagogia mediada por tecnologias exige dos professores saberes complexos, que unem o domínio pedagógico, o conteúdo curricular e as competências digitais. Conclui-se que a superação definitiva da pedagogia bancária e a consolidação de uma escola verdadeiramente democrática exigem políticas públicas robustas de formação de professores, que os preparem para atuar como intelectuais críticos. Somente por meio de uma práxis intencional, reflexiva e politicamente engajada será possível transformar os recursos digitais em autênticos caminhos para a liberdade, a autonomia e a transformação social das realidades que cercam o chão da escola.
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Tipo De Obra: Artigo Científico
Classificação Temática: PEDAGOGIA
Ano: 2026
Cutter: C837p
Publicação: 18-06-2026
Nº Páginas: 9
Autores:
TATIANE MOURA DA COSTA (---)

Orientadores: 
Esp. PATRICIA CRISTINA RODRIGUES LIMA (Lattes)

Palavras-Chave: 
  • Competência Digital
  • Pedagogia Bancária
  • Pedagogia crítica
  • Recursos Digitais
  • Tecnologia educacional
Keywords: 
  •  Banking Model of Education 
  •  Critical Pedagogy
  •  Digital resources
  • Digital Competence
  • Educational Technology