A delinquência juvenil configura-se como um fenômeno social complexo, associado a múltiplos fatores, tais como a desigualdade social, a fragilidade dos vínculos familiares, a evasão escolar e a insuficiência de políticas públicas eficazes. Nesse cenário, destaca-se a relevância da prevenção primária como estratégia fundamental no enfrentamento da prática de atos infracionais por adolescentes. A presente pesquisa parte da necessidade de superação de modelos estritamente repressivos, propondo uma abordagem preventiva voltada às causas estruturais da criminalidade. Objetivou-se analisar a relevância da prevenção primária como estratégia eficaz no combate à disseminação da delinquência juvenil. Para tanto, adotou-se uma metodologia de natureza qualitativa, com abordagem bibliográfica, baseada na análise de livros, artigos científicos, legislações e doutrinas pertinentes às áreas do Direito Penal, Criminologia e Políticas Públicas. A análise realizada demonstra que a delinquência juvenil está diretamente relacionada a fatores sociais, econômicos e familiares, como desigualdade social, evasão escolar, violência doméstica e ausência de políticas públicas eficazes. Verificou-se que a prevenção primária apresenta maior potencial de impacto a longo prazo, pois atua diretamente nas causas estruturais da criminalidade. Medidas como investimento em educação de qualidade, acesso à cultura, esporte e fortalecimento dos vínculos familiares mostraram-se fundamentais para reduzir os fatores de risco. Entretanto, identificou-se que muitas dessas políticas não alcançam os jovens em situação de maior vulnerabilidade, evidenciando falhas na implementação e na gestão das ações públicas. Constatou-se que a atuação isolada do sistema penal não é suficiente para conter a criminalidade juvenil, sendo necessária uma abordagem interdisciplinar e integrada entre Estado, família e sociedade. Contudo, conclui-se que a prevenção primária desempenha um papel fundamental no combate à delinquência juvenil, ao atuar diretamente nas causas que levam os jovens à prática de atos infracionais e que fatores como desigualdade social, ausência de oportunidades e fragilidade dos vínculos familiares contribuem significativamente para o envolvimento de adolescentes em práticas delituosas. Investir em prevenção primária é mais eficaz e menos oneroso do que atuar de forma repressiva após a ocorrência do delito. Além disso, contribui para a construção de uma sociedade mais justa, segura e igualitária. Por fim, destaca-se a necessidade de maior comprometimento do Estado e da sociedade na implementação de políticas públicas eficazes, capazes de alcançar os jovens em situação de vulnerabilidade, promovendo oportunidades reais de desenvolvimento e inclusão social.