Introdução: A coinfecção HIV-tuberculose representa importante desafio de saúde
pública, associando-se à elevada morbimortalidade, maior complexidade terapêutica e
piores desfechos clínicos. A interação entre o Mycobacterium tuberculosis e o vírus da
imunodeficiência humana (HIV) favorece a progressão da doença, o surgimento de
formas extrapulmonares e o agravamento do quadro clínico, especialmente em
contextos de vulnerabilidade social e fragilidades assistenciais. Objetivo: Analisar o
perfil epidemiológico da coinfecção HIV-tuberculose no estado de Pernambuco, no
período de 2013 a 2023, avaliando sua magnitude, tendência temporal, formas clínicas
e desfechos terapêuticos. Métodos: Estudo epidemiológico, observacional,
retrospectivo, de caráter descritivo e analítico, com dados secundários do Sistema de
Informação de Agravos de Notificação (SINAN), acessados por meio do
DATASUS/TABNET. Foram incluídos todos os casos de tuberculose notificados em
Pernambuco entre 2013 e 2023. As variáveis analisadas incluíram ano de diagnóstico,
status sorológico para HIV, forma clínica da doença e desfechos do tratamento. Os
dados foram organizados em planilhas eletrônicas e analisados por meio de estatística
descritiva. Resultados: No período estudado, foram notificados 66.242 casos de tuberculose, dos quais 7.782 (11,7%) apresentaram coinfecção TB-HIV. A proporção
anual variou entre 10,75% e 12,81%, demonstrando estabilidade na série histórica, com
redução em 2020, possivelmente associada aos impactos da pandemia de COVID-19.
Observou-se elevada proporção de casos com status sorológico desconhecido.
Indivíduos coinfectados apresentaram maior frequência de formas extrapulmonares e
mistas. Em relação aos desfechos, verificaram-se menores taxas de cura, além de maior
abandono do tratamento e maior mortalidade por outras causas. Conclusão: A
coinfecção HIV-tuberculose em Pernambuco manteve relevância epidemiológica entre
2013 e 2023, associando-se a maior gravidade clínica, piores desfechos terapêuticos e
elevada proporção de casos sem testagem para HIV. Os achados reforçam a
necessidade de ampliar a testagem e fortalecer a integração dos serviços de saúde.