Introdução: Introdução: A sífilis em gestantes constitui um relevante problema de
saúde pública, associada à elevada morbimortalidade materno-infantil e ao risco de
transmissão vertical, apesar da disponibilidade de diagnóstico acessível e tratamento
eficaz. No Brasil, observa-se aumento progressivo das taxas de detecção ao longo da
última década, refletindo tanto a ampliação da vigilância quanto fragilidades
persistentes na assistência pré-natal. O estado de Pernambuco destaca-se pela
vulnerabilidade à transmissão, influenciada por desigualdades sociais, acesso
heterogêneo aos serviços de saúde e limitações na organização da rede assistencial.
Objetivo: Analisar a tendência temporal e o perfil epidemiológico dos casos
confirmados de sífilis em gestantes no estado de Pernambuco, no período de 2014 a
2023, a fim de subsidiar estratégias de prevenção e controle da doença. Metodologia:
Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, retrospectivo e de série temporal,
com abordagem quantitativa, baseado na análise de dados secundários provenientes
do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponibilizados pelo
DATASUS. Foram avaliadas variáveis sociodemográficas, clínicas e laboratoriais
relacionadas aos casos de sífilis em gestantes no estado de Pernambuco. Resultados
e Discussão: No período analisado, foram registrados 25.167 casos, evidenciando
tendência crescente ao longo dos anos, com incremento mais acentuado a partir de
1
2017, pico em 2022 e manutenção de níveis elevados em 2023. Observou-se
predominância de casos na faixa etária de 20 a 39 anos, seguida por adolescentes,
indicando maiorvulnerabilidade em populações jovens. A distribuição territorial revelou
concentração na macrorregião Metropolitana, possivelmente associada à maior
capacidade diagnóstica e de notificação, bem como à subnotificação em
regiõesinterioranas. Destacou-se elevada incompletude na variável classificação
clínica e lacunas nos registros laboratoriais,evidenciando fragilidades nos sistemas de
informação em saúde. Esses achados corroboram a literatura ao indicar que asífilis em
gestantes permanece como evento sentinela das iniquidades sociais e das limitações
estruturais na atenção à saúde. Conclusão: Conclui-se que a sífilis em gestantes
mantém tendência crescente em Pernambuco, refletindo desafios persistentes na
vigilância epidemiológica e na assistência pré-natal. Ressalta-se a necessidade de
fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, qualificação dos sistemas de informação
e implementação de estratégias intersetoriais voltadas à redução das desigualdades
sociais e à interrupção da transmissão vertical.