INTRODUÇÃO: A tuberculose (TB) permanece como relevante problema de
saúde pública global, com maior impacto em populações vulneráveis, especialmente
pessoas privadas de liberdade (PPL), nas quais a transmissão é favorecida por condições
estruturais adversas. OBJETIVO: Analisar o perfil epidemiológico da TB em PPL no Estado
de Pernambuco, no período de 2015 a 2025, com ênfase na dinâmica temporal e
distribuição espacial da doença em comparação com a população livre. METODOLOGIA:
Estudo observacional, descritivo, de corte transversal e base populacional, realizado com
dados secundários provenientes do SINAN e DATASUS. Foram analisadas variáveis
sociodemográficas, clínicas e operacionais, com apresentação por frequências absolutas e
relativas. RESULTADOS: Foram identificados 9.100 casos de TB entre 2015 e 2024, com
projeção de 10.258 casos até 2025, evidenciando tendência crescente, especialmente a
partir de 2021 . Observou-se distribuição heterogênea entre regiões de saúde, com maior
concentração em Recife, Limoeiro e Caruaru. Predominou o sexo masculino (97,1%) e a
faixa etária de 20 a 39 anos (83,8%). A forma pulmonar representou 96,3% dos casos. A
coinfecção TB-HIV foi identificada em 5,6%, com proporção relevante de dados
incompletos. Casos novos corresponderam a 67,4%, seguidos por recidiva e reingresso
após abandono. O desfecho mais frequente foi a cura, embora persistam abandono e
transferências. DISCUSSÃO: Os achados evidenciam elevada magnitude epidemiológica da
TB em PPL, com tendência de crescimento e forte associação a determinantes estruturais,
como superlotação e limitações no acesso à saúde. O perfil sociodemográfico e clínico é consistente com a literatura, destacando o ambiente prisional como importante reservatório
de transmissão ainda mais em comparação com a população livre. A presença de
abandono terapêutico e lacunas diagnósticas reforça fragilidades na continuidade do
cuidado. CONCLUSÃO: A TB em PPL em Pernambuco apresenta elevada relevância
epidemiológica e impacto na saúde pública. O controle da doença nesse grupo é essencial
para reduzir a transmissão comunitária, exigindo estratégias integradas que envolvam
ações assistenciais, estruturais e fortalecimento da vigilância epidemiológica.