Introdução: A hanseníase permanece como importante problema de saúde pública no
Brasil, caracterizada por transmissão persistente e diagnóstico frequentemente tardio.
Embora o manejo seja predominantemente ambulatorial, as internações hospitalares
estão associadas a quadros mais graves, especialmente episódios reacionais e neurites,
podendo refletir tanto a gravidade clínica quanto fragilidades na rede assistencial.
Objetivo: Analisar a tendência temporal das internações hospitalares por hanseníase
no estado de Pernambuco, no período de 2010 a 2025, considerando distribuição
espacial, características sociodemográficas, indicadores assistenciais e impacto
econômico. Metodologia: Estudo ecológico de série temporal, com abordagem
quantitativa, baseado em dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema
Único de Saúde (SIH/SUS). Foram incluídas internações com diagnóstico principal
classificado nos códigos A30 (hanseníase) e B92 (sequelas). As taxas anuais de
internação por 100.000 habitantes foram calculadas com base em estimativas
populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A tendência temporal foi
avaliada por regressão linear simples, e as demais variáveis por estatística descritiva.
Resultados: Foram registradas 5.709 internações no período analisado. As taxas de
internação reduziram de 5,38 por 100.000 habitantes em 2010 para 1,98 em 2025 (β =
−0,27; p < 0,001). Observou-se elevada concentração das internações em poucos
municípios, especialmente Recife e Paulista, responsáveis por mais de 85% dos casos.
Houve predominância de indivíduos do sexo masculino e em idade adulta, com forte
centralização da assistência em hospitais de referência. O custo total das internações
foi de R$ 4.285.037,84, com custo médio de R$ 750,63 por internação. Conclusão: As
internações hospitalares por hanseníase apresentaram tendência de redução, porém
com concentração marcante em centros especializados, evidenciando desigualdades na
organização da rede assistencial. Os achados sugerem que as internações podem
refletir não apenas complicações graves, mas também a possível persistência da
atividade da doença e limitações das estratégias atuais de cuidado, reforçando a
necessidade de fortalecer a atenção primária e o diagnóstico precoce.