INTRODUÇÃO: O câncer colorretal (CCR) configura-se como importante problema de saúde pública global, com crescente impacto entre adultos jovens, grupo historicamente não contemplado pelos programas de rastreamento. No Brasil, observa-se aumento progressivo da incidência e da mortalidade, associado a fatores comportamentais, ambientais e limitações no diagnóstico precoce. OBJETIVO: Analisar o perfil epidemiológico das internações hospitalares e da mortalidade por câncer colorretal em adultos jovens (20 a 49 anos) no Brasil, no período de 2014 a 2024. METODOLOGIA: Estudo ecológico, observacional, de série temporal, baseado em dados secundários provenientes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), disponíveis no DATASUS. Foram incluídos registros classificados pelos códigos C18 a C20 da CID-10. As taxas foram analisadas por sexo, faixa etária, região e evolução temporal, sendo aplicada regressão linear simples para avaliação de tendência. RESULTADOS: Observou-se aumento das internações, de aproximadamente 13.900 em 2014 para 18.300 em 2023 (≈31%), além de crescimento da mortalidade de cerca de 1.780 para 2.500 óbitos entre 2014 e 2024 (≈40%). Houve discreta predominância feminina nos óbitos (51,9%). A faixa etária de 40 a 49 anos concentrou 68,4% das mortes, seguida por 30 a 39 anos (25,4%) e 20 a 29 anos (6,2%). Regionalmente, o Sudeste apresentou a maior proporção (48,7%). DISCUSSÃO: Os achados evidenciam tendência crescente do CCR de início precoce, alinhada a padrões internacionais. A concentração dos casos em indivíduos abaixo da idade tradicional de rastreamento e o diagnóstico tardio reforçam lacunas nas estratégias de detecção precoce. Fatores como mudanças no estilo de vida e desigualdades no acesso aos serviços de saúde contribuem para esse cenário. CONCLUSÃO: O CCR em adultos jovens apresenta crescimento consistente no Brasil, configurando desafio emergente para o sistema de saúde. Torna-se essencial fortalecer políticas de prevenção, ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e considerar a revisão das estratégias de rastreamento para essa população.