RESUMO
Introdução: O câncer colorretal (CCR) é uma das neoplasias mais prevalentes no
mundo, ocupando a terceira posição em incidência e a segunda em mortalidade entre
os cânceres. Apesar dos avanços no rastreamento e tratamento, ainda existem
desafios significativos na luta contra o CCR. A estratégia de "Watch and Wait" (WW)
emerge como uma abordagem radicalmente conservadora de tratamento oncológico
para pacientes que apresentam resposta completa ao tratamento neoadjuvante no
câncer de reto. Esta abordagem propõe uma vigilância rigorosa em vez de
procedimentos cirúrgicos imediatos, reservando a cirurgia para casos de recorrência
do câncer. Objetivo: Avaliar os pacientes inseridos na estratégia Watch and wait no
Hospital Barão de Lucena, em Pernambuco. Metodologia: Trata-se de estudo
observacional e transversal, realizado em hospital terciário do SUS com análise
retrospectiva de 22 prontuários de pacientes que preencheram critérios de entrada na
estratégia "Watch and Wait” no período entre 2019 e 2024, sendo analisados dados
dos prontuários referentes à patologia e tratamento oncológico dos pacientes.
Resultados: A idade média dos pacientes do estudo é de 60 anos (60 ± 12,1 anos). A
mediana é de 64,5 anos. A idade mínima registrada foi de 30 anos e a máxima de 79
anos. O tempo medio de seguimento foi de 48,5 meses permitindo adequada
avaliação dos desfechos oncológicos. Com relação ao tempo de recidiva, nota-se que
entre os pacientes que apresentaram recidiva, a mediana foi de 12 ± 6 meses. O
esquema terapêutico mais utilizado foi a terapia neoadjuvante total (TNT),
administrada em 63,6% dos casos, enquanto o tratamento padrão (quimioterapia
associada a radioterapia sem consolidação) foi realizado em 36,4% dos pacientes. Em
torno de 27% dos pacientes analisados apresentaram recidiva tumoral. A associação
entre o esquema terapêutico e a ocorrência de recidiva não demonstrou diferença
estatisticamente significativa. Discussão: Este estudo evidenciou taxa de recidiva de
27,3%, predominando nos primeiros meses de seguimento, em concordância com a
literatura. A estratégia Watch and Wait mostrou-se uma alternativa segura em
pacientes com resposta clínica completa após neoadjuvância, desde que submetidos a
acompanhamento rigoroso. A recidiva ocorreu em cerca de um quarto dos casos,
sendo mais influenciada pelo estadiamento inicial do tumor do que pelo uso ou tipo de
quimioterapia, sem associação estatisticamente significativa. Apesar das limitações,
como o pequeno tamanho amostral, os resultados reforçam a viabilidade da
abordagem conservadora com vigilância intensiva. Conclusão: A estratégia Watch
and Wait foi fundamental para evitar cirurgias de alta morbidade, sem alterar desfecho
oncológico no contexto de acompanhamento no SUS.