O abuso sexual infantil constitui um grave problema de saúde pública, com repercussões
significativas sobre o desenvolvimento psíquico e cognitivo das vítimas, afetando
aspectos emocionais, comportamentais e sociais ao longo da vida. Diante da relevância
do tema, o presente estudo teve como objetivo analisar, à luz da literatura científica, as
repercussões psiquiátricas e cognitivas do abuso sexual na infância. Trata-se de uma
revisão sistemática da literatura, de abordagem qualitativa, realizada nas bases de
dados LILACS e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando descritores relacionados
ao abuso sexual infantil e transtornos mentais, combinados pelo operador booleano
AND. Foram incluídos estudos publicados nos últimos dez anos, nos idiomas português,
inglês e espanhol, disponíveis na íntegra, sendo selecionados 12 artigos após critérios
de elegibilidade e análise metodológica. Os resultados evidenciaram que o abuso sexual
infantil está fortemente associado ao desenvolvimento de transtornos psiquiátricos,
como depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático, além de prejuízos
cognitivos, dificuldades na regulação emocional, distorções na percepção de afeto e
maior risco de comportamento suicida. Observou-se ainda a possibilidade de
perpetuação de ciclos de violência, embora não determinística, bem como a influência
de fatores como suporte social e intervenções terapêuticas no prognóstico das vítimas.
Conclui-se que o abuso sexual infantil produz impactos duradouros e multifatoriais na
saúde mental, reforçando a necessidade de estratégias de prevenção, identificação
precoce e intervenções interdisciplinares que promovam a recuperação psíquica e a
proteção integral das vítimas.