INTRODUÇÃO: A tuberculose permanece como um importante problema de
saúde pública mundial, com elevada carga de morbimortalidade, inclusive na população
pediátrica. Em menores de 15 anos, a doença apresenta relevância epidemiológica
adicional por atuar como marcador de transmissão recente na comunidade, estando
frequentemente associada a condições sociais desfavoráveis e dificuldades no diagnóstico
e manejo clínico. OBJETIVO: Descrever o perfil epidemiológico da tuberculose em menores
de 15 anos no estado de Pernambuco no período de 2016 a 2024. METODOLOGIA:
Trata-se de um estudo ecológico, descritivo e de série temporal, realizado a partir de dados
secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, disponibilizados pelo
DATASUS. Foram incluídos todos os casos notificados de tuberculose em indivíduos
menores de 15 anos residentes em Pernambuco no período analisado. As variáveis
avaliadas incluíram evolução temporal, faixa etária, sexo, forma clínica e desfecho dos
casos. Os dados foram tabulados em planilhas eletrônicas e analisados por meio de
frequências absolutas e relativas. RESULTADOS: Foram registrados 2.045 casos de
tuberculose em menores de 15 anos no período estudado, com redução das notificações
em 2020 e aumento progressivo a partir de 2021, ultrapassando 300 casos anuais nos anos
mais recentes. Observou-se maior concentração na faixa etária de 10 a 14 anos (667
casos), seguida pelas faixas de 5 a 9 anos (507), 1 a 4 anos (436) e menores de 1 ano
(435). Houve discreta predominância do sexo masculino (53,7%). A forma pulmonar foi a
mais frequente (58,3%), seguida pela forma extrapulmonar (37,9%) e formas associadas (3,7%). Em relação aos desfechos, a taxa de cura foi de 60,4%, inferior ao recomendado,
enquanto o abandono do tratamento atingiu 8,5%. DISCUSSÃO: Os achados evidenciam a
persistência da tuberculose na população pediátrica, com padrão temporal influenciado pela
pandemia de COVID-19. A elevada proporção de formas extrapulmonares e os desfechos
desfavoráveis indicam fragilidades na linha de cuidado, possivelmente relacionadas a
dificuldades diagnósticas, adesão ao tratamento e determinantes sociais. CONCLUSÃO: A
tuberculose em menores de 15 anos mantém-se como um relevante problema de saúde
pública em Pernambuco, refletindo falhas na interrupção da transmissão e desafios no
manejo dos casos. Os resultados reforçam a necessidade de fortalecimento das estratégias
de vigilância, diagnóstico precoce e adesão ao tratamento, bem como de ações estruturais
voltadas à redução das desigualdades sociais.