Introdução: O acelerado envelhecimento populacional tem elevado a mortalidade por
demências no Brasil, tornando-as um desafio crítico para a saúde pública,
especialmente na Região Nordeste, onde as disparidades socioeconômicas e as
lacunas no diagnóstico podem agravar o impacto da síndrome. Objetivo: Analisar a
tendência temporal de mortalidade em idosos com demência residentes da Região
Nordeste do Brasil entre os anos de 2014 e 2024. Metodologia: Estudo ecológico de
série temporal com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade
(SIM/DATASUS) sobre óbitos de idosos (≥60 anos) por demência (CID-10: G30, F00,
F01, F03) no Nordeste. Realizou-se análise descritiva sociodemográfica e avaliação
da tendência temporal por meio de regressão linear simples com nível de significância
de 5%. Resultados: Foram registrados 55.394 óbitos, com predominância do sexo
feminino (64,06%), idosos com 80 anos ou mais (77,51%), cor branca (48,78%) ou
parda (45,89%), viúvos (48,03%) e baixa escolaridade (63,38% com até 3 anos de
estudo). A tendência da mortalidade geral foi crescente e significativa (p < 0,0001; R2
= 0,9705), com incremento médio anual de 4,27 óbitos por 100.000 habitantes. O
crescimento foi mais acelerado nas mulheres (β = 5,204) comparado aos homens (β =
1
3,082). A faixa etária de 80 anos ou mais apresentou aumento importante (β = 24,21; p
< 0,0001). Grupos de 70 a 79 anos (β = 2,015) e 60 a 69 anos (β = 0,141) também
registraram altas significativas. Conclusão: A mortalidade por demência no Nordeste
apresenta crescimento progressivo e desigual, evidenciando a urgência de fortalecer o
diagnóstico precoce na atenção primária e ampliar a rede de cuidados paliativos e
suporte domiciliar.
Palavras-chave: Demência; Mortalidade; Pessoa Idosa; Saúde Pública.