Introdução: A violência contra a mulher constitui um importante problema de saúde pública, com repercussões físicas, emocionais e sociais que exigem monitoramento contínuo por parte dos sistemas de vigilância. Objetivo: Analisar o perfil epidemiológico das notificações de violência interpessoal/autoprovocada envolvendo mulheres de 15 a 59 anos no município de Caruaru, Pernambuco, no período de 2013 a 2023. Métodos: Trata-se de um estudo transversal, descritivo, de abordagem quantitativa, realizado com base em dados secundários obtidos no Painel de Violência Interpessoal/Autoprovocada do Ministério da Saúde, alimentado por registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Foram analisadas variáveis relacionadas à caracterização geral das notificações, faixa etária, idade, raça/cor e escolaridade. Resultados: Foram identificadas 5.571 notificações no período analisado, com predomínio da violência interpessoal, responsável por 71% dos registros, seguida da violência autoprovocada, com 27%, e dos casos indeterminados, com 2%. Observou-se maior concentração de notificações entre mulheres de 20 a 29 anos, seguidas da faixa de 30 a 39 anos, com idade média de 30 anos e mediana de 29 anos. Em relação à raça/cor, predominou a categoria parda, seguida da branca e da preta. Quanto à escolaridade, verificou-se maior frequência de registros ignorados ou sem informação, seguida de ensino fundamental e ensino médio. Discussão: Os achados evidenciam maior vulnerabilidade de mulheres jovens adultas, possivelmente associada à maior exposição a relações interpessoais e contextos de desigualdade social. A predominância de mulheres pardas reforça a influência de determinantes sociais e raciais. Além disso, a incompletude dos dados, especialmente na variável escolaridade, indica fragilidades no preenchimento das notificações, limitando análises mais aprofundadas. Conclusão: Conclui-se que a violência notificada contra mulheres em Caruaru apresenta magnitude expressiva, com concentração em mulheres jovens adultas, pardas e com escolaridade fundamental ou média, além de evidenciar limitações relacionadas à qualidade do preenchimento das notificações. Os achados reforçam a necessidade de fortalecimento da vigilância em saúde, qualificação dos registros e implementação de ações intersetoriais voltadas à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher.