INTRODUÇÃO: A sífilis materna permanece como um importante problema de
saúde pública, devido ao risco de transmissão vertical e às graves repercussões para o
concepto, incluindo aborto, prematuridade e óbito neonatal. Apesar de diagnóstico acessível
e tratamento eficaz, observa-se aumento expressivo dos casos no Brasil, refletindo
fragilidades na assistência pré-natal e desigualdades sociais. OBJETIVO: Analisar o perfil
epidemiológico da sífilis em gestantes no Brasil entre 2015 e 2024, considerando a
distribuição temporal, regional e sociodemográfica. METODOLOGIA: Estudo ecológico,
quantitativo, com dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação
(SINAN), obtidos via DATASUS. Foram analisadas variáveis como ano de notificação,
região, faixa etária, raça/cor e escolaridade. Realizou-se análise descritiva, com cálculo de
frequências absolutas e relativas, além da avaliação da tendência temporal e distribuição
regional dos casos. RESULTADOS: Foram registrados 597.973 casos de sífilis em
gestantes no período analisado, com aumento de 162,6% entre 2015 e 2023. Observou-se
predomínio da Região Sudeste (46,1%), seguida do Nordeste (20,8%). A faixa etária de 20
a 39 anos concentrou 74,5% dos casos, enquanto adolescentes representaram 22,5%.
Houve predominância entre mulheres pardas (51,4%) e com níveis intermediários de
escolaridade. DISCUSSÃO: O aumento dos casos reflete tanto maior sensibilidade dos
sistemas de vigilância quanto falhas persistentes na prevenção e no manejo adequado no
pré-natal. A distribuição desigual evidencia o impacto de determinantes sociais, com maior
vulnerabilidade em populações expostas a barreiras de acesso aos serviços de saúde. A
participação significativa de adolescentes reforça a necessidade de estratégias específicas
de educação e prevenção. CONCLUSÃO: A sífilis materna apresenta tendência crescente e
distribuição heterogênea no Brasil, associada a fatores sociodemográficos. Torna-se
essencial fortalecer o pré-natal, ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e garantir
tratamento oportuno das gestantes e seus parceiros, visando reduzir a transmissão vertical
e os desfechos adversos.