INTRODUÇÃO: As infecções relacionadas à assistência à saúde são consideradas como os efeitos adversos mais recorrentes em diversos hospitais a nível global, principalmente nas UTIs. As infecções por Acinetobacter spp (ACINSPE), em particular, possuem alta relevância clínica, visto a extensa capacidade de resistência antimicrobiana, facilidade de propagação no ambiente hospitalar, formação de biofilme e opções terapêuticas limitadas, sendo uma ameaça à saúde pública mundial. OBJETIVOS: Avaliar o impacto da pandemia pelo COVID-19 no perfil epidemiológico das infecções por Acinetobacter spp através de uma análise da incidência e do perfil microbiológico das infecções pelo microrganismo em questão, em pacientes internados nas UTIs de hospital terciário do Recife-PE, além de compreender seus mecanismos de resistência para avaliar os fatores de risco que propiciam a contaminação com o patógeno, com o objetivo de incentivar melhorias na prevenção e no desenvolvimento de protocolos de tratamento das infecções ocasionadas por essa bactéria. MÉTODOS: Estudo observacional, retrospectivo de natureza descritiva, em que foram analisados prontuários e culturas coletadas de pacientes internados em UTIs adulto do Hospital Agamenon Magalhães entre 2018-2022, com infecções por bactérias do grupo ACINSPE. RESULTADOS: Foram incluídos 732 pacientes. 378 foram internados no período pré-pandemia, destes 39,1% vieram a óbito. Já durante a pandemia pelo COVID-19, foram avaliados 354 pacientes, em que 54,2% vieram a óbito e destes, 32,3% tiveram infecção pelo vírus da COVID-19 no internamento. Acerca dos antibióticos, os mais sensíveis foram: colistina e polimixina B, enquanto os mais resistentes foram meropenem e imipenem. DISCUSSÃO: Estudos atuais mostram um maior risco de infecções por ACINSPE em pacientes com COVID-19. O aumento de infecções durante a pandemia foi associado à internação hospitalar prolongada, ventilação mecânica invasiva e não invasiva e imunossupressão. O tratamento é um problema de saúde pública, visto a dificuldade em manejar a infecção utilizando um antimicrobiano totalmente eficaz. CONCLUSÃO: A pandemia pelo COVID-19 influenciou grandemente nos desfechos dos pacientes acometidos pelo ACINSPE, bem como no perfil microbiológico das bactérias desse gênero. As medidas de prevenção de infecções e vigilância realizadas pelas CCIHs permanecem como as melhores ferramentas para aprimorar a evolução clínica dos pacientes internados em UTIs.