As queimaduras representam importante agravo à saúde pública, em razão de sua
elevada morbidade, do risco de infecção e das repercussões funcionais, estéticas e
psicossociais associadas ao processo de reparo tecidual. Nesse contexto, o manejo
local da ferida exige estratégias terapêuticas capazes de controlar a carga microbiana,
preservar o tecido viável e favorecer a cicatrização em tempo oportuno. O
polihexametileno biguanida (PHMB) tem sido descrito como agente antimicrobiano
promissor no tratamento de feridas, inclusive queimaduras, sobretudo por seu potencial
de ação sobre a carga bacteriana e seu perfil de tolerabilidade. Esta dissertação teve
como objetivo mapear as evidências científicas sobre a aplicação clínica do PHMB no
tratamento de feridas por queimaduras, especificamente no que tange ao controle de
biofilme e à promoção da cicatrização tecidual, tendo como produto um artigo científico
derivado de revisão de escopo. Trata-se de estudo de natureza descritiva, desenvolvido
por meio de revisão de escopo conforme a metodologia do Joanna Briggs Institute,
orientada pela estratégia PCC (População, Conceito e Contexto) e relatada segundo o
PRISMA-ScR. Foram incluídos estudos primários com seres humanos, de qualquer
faixa etária, que abordaram o uso clínico do PHMB em queimaduras. A síntese final
contemplou oito estudos, com diferentes delineamentos metodológicos, incluindo
ensaios clínicos randomizados, coortes, revisões retrospectivas e relato de caso. Os
achados demonstraram que o PHMB foi utilizado em distintas apresentações e cenários
assistenciais, principalmente em queimaduras de espessura parcial, em adultos e
crianças. Em relação à cicatrização, os estudos indicaram tempo de reepitelização
semelhante ao de comparadores clássicos, como a sulfadiazina de prata, sem evidência
de prejuízo ao reparo tecidual. Também foram observados achados favoráveis quanto
à dor, à tolerabilidade e à redução da frequência de trocas de curativo em alguns
contextos. No eixo microbiológico, verificaram-se resultados positivos em desfechos
substitutos, como redução de colonização e de culturas positivas para patógenos
relevantes. Entretanto, não foram identificados estudos clínicos com mensuração direta
de biofilme, o que limita conclusões definitivas sobre a eficácia antibiofilme do PHMB
em queimaduras humanas. Conclui-se que o PHMB constitui alternativa terapêutica
promissora e clinicamente aplicável no manejo tópico de queimaduras, com potencial
benefício no controle microbiano e na manutenção de condições favoráveis à
cicatrização, embora ainda sejam necessários estudos clínicos mais robustos e
padronizados para confirmar seu impacto específico sobre biofilme e definir com maior
precisão seu papel na prática assistencial.