A depressão é um transtorno mental de elevada prevalência e impacto global,
caracterizado por tristeza persistente, perda de interesse, desesperança e risco
aumentado de suicídio, configurando-se como uma das principais causas de
incapacidade no mundo. Diante da necessidade de ampliar estratégias de cuidado, a
religiosidade e a espiritualidade têm sido investigadas como possíveis recursos
complementares no enfrentamento do sofrimento psíquico. Este estudo teve como
objetivo analisar de que forma as práticas religiosas e espirituais contribuem para o
manejo psicológico do transtorno depressivo. Trata-se de uma revisão integrativa
realizada nas bases SciELO, LILACS e PubMed, utilizando os descritores “religion”,
“spirituality”, “depression” e “depressive disorder”. Após aplicação dos critérios de
inclusão e exclusão, foram selecionados 19 artigos publicados entre 2010 e 2024. Os
resultados demonstraram que a religiosidade e a espiritualidade, quando vivenciadas
positivamente, estão associadas à redução dos sintomas depressivos, maior
resiliência, fortalecimento do sentido de vida, menor ideação suicida e melhor
evolução terapêutica. Elementos como participação em práticas religiosas, fé pessoal
e coping espiritual positivo mostraram-se protetores. Por outro lado, experiências
marcadas por conflito religioso, culpa ou percepção de punição divina foram
associadas ao agravamento dos sintomas depressivos, destacando que o impacto da
fé depende da forma como é subjetivamente vivenciada. Conclui-se que a
religiosidade e a espiritualidade podem atuar como recursos complementares na
abordagem psicológica da depressão, desde que integradas de maneira ética,
individualizada e alinhada às necessidades de cada paciente, contribuindo para um
cuidado mais amplo, humanizado e centrado na pessoa.