O uso crônico de benzodiazepínicos constitui relevante problema de saúde pública, associado a dependência, tolerância, prejuízo cognitivo, quedas, interações medicamentosas e aumento da mortalidade, especialmente em idosos e populações vulneráveis.¹˒³ Apesar das recomendações contrárias ao uso prolongado, esses fármacos permanecem amplamente prescritos além do tempo indicado.²˒²⁷ Nesse cenário, a desprescrição surge como estratégia essencial para o uso racional de medicamentos, embora represente processo complexo e multifatorial.⁵˒⁷
Esta revisão sistemática analisou os principais desafios, barreiras e estratégias relacionadas à desprescrição de benzodiazepínicos em usuários crônicos. Foram incluídos estudos observacionais, ensaios clínicos, revisões sistemáticas, estudos qualitativos e diretrizes clínicas publicados entre janeiro de 2000 e março de 2025, identificados nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science e Cochrane Library.⁴˒¹³ A seleção seguiu critérios rigorosos, com extração padronizada dos dados e síntese qualitativa temática.⁷˒¹⁵
Entre as barreiras relacionadas aos pacientes destacam-se medo de recorrência de ansiedade e insônia, sintomas prévios de abstinência, percepção de dependência e desconhecimento dos riscos do uso prolongado.⁹˒²¹ Profissionais relatam insegurança clínica, falta de capacitação, receio de prejudicar a relação terapêutica e ausência de protocolos claros.¹⁸˒¹⁹ Fatores sistêmicos, como tempo limitado de consulta e acesso restrito a terapias não farmacológicas, também impactam negativamente o processo.¹⁶˒²³
Estratégias eficazes incluem educação em saúde, decisão compartilhada, redução gradual individualizada da dose¹¹˒¹² e associação com intervenções não farmacológicas, especialmente terapia cognitivo-comportamental.¹⁴˒²⁶ Modelos multiprofissionais mostraram melhores resultados.¹⁶˒²⁰ Conclui-se que a desprescrição exige abordagem longitudinal, integrada e baseada em evidências, com fortalecimento da formação profissional e da organização do cuidado.⁴˒¹⁷