A tricomoníase, causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, é a infecção sexualmente transmissível curável não viral mais prevalente no mundo e permanece subdiagnosticada no Brasil. A ausência de notificação compulsória e a utilização frequente de métodos diagnósticos de baixa sensibilidade contribuem para lacunas no conhecimento epidemiológico. Este trabalho teve como objetivo analisar a situação epidemiológica da tricomoníase no Brasil, entre 2014 e 2024, destacando a Região Nordeste e dados disponíveis de Maceió-AL, buscando identificar os fatores de risco, determinar as faixas etárias mais acometidas, mapear a distribuição regional, revisar métodos diagnósticos preconizados e descrever as abordagens terapêuticas recomendadas pelo Ministério da Saúde. Este estudo consiste em uma revisão narrativa da literatura, com busca em bases de dados como SciELO, LILACS e PubMed, incluindo também literatura cinzenta, consistindo na informação produzida por organizações fora dos canais de publicação comercial e acadêmica tradicionais, e diretrizes oficiais, utilizando critérios de inclusão de estudos brasileiros publicados no período de análise. Os dados extraídos foram organizados e analisados de forma qualitativa, com síntese das tendências regionais, métodos diagnósticos, fatores de risco e lacunas existentes. Observou-se maior ocorrência da infecção em mulheres em idade reprodutiva, frequentemente associada a vulnerabilidades sociais e ao uso inconsistente de preservativos. Ademais, a escassez de dados epidemiológicos, reforça a necessidade de estudos regionais e de fortalecimento da vigilância em saúde. Com isso, foi possível concluir que o enfrentamento da tricomoníase exige ampliação do acesso ao diagnóstico sensível, tratamento simultâneo de parceiros, educação sexual e integração da doença às políticas públicas de IST, a fim de reduzir a subnotificação e promover o cuidado integral à saúde sexual e reprodutiva.