Protium heptaphyllum, conhecida popularmente como breu branco, é uma planta nativa da
Amazônia, amplamente valorizada por suas propriedades aromáticas e farmacológicas. Seu
óleo essencial, extraído das folhas, caule e resina, se sobressai pela presença de compostos
bioativos, os quais estão associados ao potencial uso no controle de insetos. O uso intensivo
de inseticidas sintéticos tem favorecido a seleção de linhagens resistentes, além de
desencadear efeitos adversos para o meio ambiente e para as pessoas. Tendo em vista essa
realidade, cresce o interesse científico de agentes inseticidas de origem natural, especialmente
aqueles derivados de plantas ricas em metabólitos secundários com reconhecida atividade
biológica. Dessa forma, a espécie P. heptaphyllum destaca-se por seu óleo essencial, natural e
sustentável, composto por substâncias voláteis com capacidade de inibir a ação de insetos,
podendo ser empregado como princípio ativo em diversas aplicações biotecnológicas. Logo, o
óleo essencial dessa espécie emerge como alternativa promissora, mais sustentável e
ambientalmente compatível para estratégias futuras de manejo de pragas. Este trabalho tem
como objetivo obter e avaliar o perfil químico e a atividade inseticida in silico do óleo
essencial extraído das folhas de P. heptaphyllum. Para isso, foi utilizado o método de
hidrodestilação para a obtenção do óleo essencial, em seguida, foi realizada a caracterização
por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massa (CG–EM). O estudo empregou
docking molecular para investigar o potencial inibitório dos principais constituintes do óleo
essencial frente à acetilcolinesterase (AChE). A estrutura da enzima (PDB: 6XYU) foi
preparada no UCSF Chimera, e os ligantes β-elemeno, α-cubebeno, Espatulenol, β-cariofileno
e α-humuleno foram obtidos do PubChem. As simulações foram realizadas na plataforma
SwissDock, utilizando o algoritmo AutoDock Vina, com grid definida no sítio ativo da
enzima. A validação do método ocorreu por meio de redocking do ligante cristalográfico
(Tacrina). As poses foram selecionadas com base na menor energia livre de ligação e
analisadas quanto às interações intermoleculares por UCSF Chimera e LigPlot+, permitindo
identificar resíduos-chave e inferir a estabilidade e o potencial inibitório dos complexos
formados.