Este estudo apresenta uma revisão narrativa de literatura sobre espiritualidade,
religiosidade e saúde mental, reconhecendo que tais dimensões constituem
elementos relevantes na forma como indivíduos enfrentam o sofrimento, constroem
sentidos e elaboram experiências de adoecimento. O objetivo foi sintetizar e analisar
criticamente a produção científica contemporânea que discute essas interfaces,
identificando tensões conceituais, implicações clínicas e socioculturais, além de
desafios éticos e formativos para profissionais da saúde. A metodologia adotou
procedimentos próprios da revisão narrativa, com busca em bases como SciELO,
LILACS, PubMed e PePSIC e seleção de estudos que abordassem espiritualidade,
religiosidade e saúde mental em diferentes contextos clínicos e culturais. Os
resultados mostram que a espiritualidade opera como recurso simbólico que
favorece ressignificação do sofrimento, fortalecimento emocional, esperança, coesão
familiar e mobilização de redes de apoio, especialmente em situações como
hospitalização, doenças crônicas, alcoolismo, câncer e cuidados paliativos.
Evidências destacam ainda especificidades culturais, como no caso de mulheres de
religiões afro-brasileiras e famílias de crianças com câncer, para as quais
espiritualidade e cuidado constituem dimensões indissociáveis e comunitárias.
Apesar das potencialidades observadas, limitadores também emergem, como
sentimentos de culpa, conflitos internos, sobrecarga emocional e efeitos adversos
associados a discursos religiosos normativos. No campo profissional, a literatura
evidencia ausência de preparo técnico, insegurança conceitual e dificuldades éticas
que resultam em abordagens inadequadas, tanto por excesso de intervenção quanto
por silenciamento do tema. Conclui-se que espiritualidade e religiosidade são
componentes centrais da experiência humana diante do adoecimento e que sua
consideração exige práticas em saúde mental fundamentadas, sensíveis à
diversidade cultural e sustentadas por formação ética e crítica. A revisão contribui ao
integrar achados dispersos, apontar lacunas e reforçar a importância de perspectivas
interdisciplinares capazes de qualificar o cuidado e ampliar o debate científico sobre
essa interface.