O câncer constitui uma das principais causas de morte prematura no mundo, configurando-se como relevante problema de saúde pública e demandando início oportuno do tratamento. Este estudo teve como objetivo analisar o tempo de espera para o início do tratamento oncológico no Sistema Único de Saúde (SUS) na Região Metropolitana de Belém, no período de 2020 a 2024, identificar o perfil sociodemográfico dos pacientes que aguardaram maior e menor tempo para início da terapia e investigar esse intervalo segundo os municípios da região. Trata-se de um estudo epidemiológico, quantitativo e descritivo, realizado a partir de dados secundários do Departamento de Informática do SUS (DATASUS), por meio do Painel Oncologia Brasil. Foram analisadas variáveis como município de diagnóstico, tempo até o início do tratamento, sexo e faixa etária. Por utilizar dados públicos e não nominais, o estudo dispensou apreciação por Comitê de Ética em Pesquisa. Os dados foram organizados em planilhas do Microsoft Excel 2019 para elaboração de tabelas e gráficos, sendo excluídos registros incompletos ou não condizentes com os objetivos do estudo. Entre 2020 e 2024, o perfil de pacientes com maior registro de tratamento oncológico na Região Metropolitana de Belém foram do sexo feminino, os casos concentraram-se em adultos e idosos. Pacientes que aguardaram menor período para o tratamento são do sexo feminino e maior do sexo masculino, a maior concentração de tratamento está na faixa etária de 55 a 64 anos, a menor concentrasse na faixa de 0 a 24 anos. Observou-se grande variação no tempo entre diagnóstico e início do tratamento entre os municípios, como Belém apresentando os maiores atrasos e Ananindeua o melhor. O estudo demonstrou que, entre 2020 e 2024, o tempo de espera para o início do tratamento oncológico na Região Metropolitana de Belém apresentou variações significativas entre os municípios, com persistência de atrasos além do prazo legal, evidenciando limitações na organização da rede assistencial do SUS. A centralização dos atendimentos em Belém reforça a dependência dos demais municípios e a necessidade de fortalecimento da regionalização. Além disso, a elevada proporção de registros sem informação de tratamento indica fragilidades nos sistemas de informação em saúde. Os resultados apontam para a necessidade de aprimorar fluxos assistenciais, ampliar a capacidade dos serviços especializados e qualificar os registros, a fim de reduzir desigualdades, garantir acesso oportuno e melhorar a qualidade do cuidado oncológico.
Palavras-chave: Neoplasia, Sistema Único de Saúde, Tratamento, Epidemiologia.