Este artigo analisa como as políticas linguísticas expressas na Base Nacional Comum Curricular
(BNCC) orientam o ensino de Língua Portuguesa, com ênfase nas concepções de linguagem,
na valorização da diversidade linguística e cultural e na integração dos multiletramentos. O
estudo parte do problema de que, embora a BNCC proponha diretrizes alinhadas a perspectivas
sociointeracionistas, críticas e inclusivas, persistem desafios significativos para sua
implementação em contextos escolares marcados por desigualdades sociais e regionais. O
objetivo geral é compreender as articulações entre o documento oficial, os materiais didáticos
e as práticas docentes, buscando identificar concepções de linguagem subjacentes, discutir a
relação entre políticas linguísticas e políticas educacionais e refletir sobre as implicações dessas
diretrizes para uma educação linguística crítica. A justificativa fundamenta-se na centralidade
da BNCC como instrumento normativo e político, cuja aplicação pode tanto favorecer a
equidade educacional quanto reforçar padrões excludentes, caso não haja mediações
pedagógicas sensíveis (Silva; Magalhães, 2025; Cândido; De Souza Santos; Mamani, 2020;
Fiorotti; De Matos; Mendes, 2025). Metodologicamente, a pesquisa adota abordagem
qualitativa, de caráter bibliográfico e documental, com análise de textos normativos, estudos
acadêmicos e investigações empíricas sobre a BNCC, organizados a partir de leitura
exploratória, seletiva e analítica. Os resultados indicam avanços conceituais, como o
reconhecimento da variação linguística, a valorização dos multiletramentos e a proposição de
competências voltadas à cidadania digital. Contudo, evidenciam também tensões entre a
padronização curricular e a autonomia docente, lacunas na formação inicial e continuada de
professores e limitações estruturais para o trabalho com diversidade e multimodalidade.
Conclui-se que a efetividade das políticas linguísticas da BNCC depende de ações integradas
entre políticas públicas, formação docente e práticas pedagógicas contextualizadas, capazes de
articular diretrizes nacionais às especificidades culturais e linguísticas dos diferentes contextos escolares