A aquicultura consolidou-se como uma das principais atividades produtoras de proteína animal, com a tilapicultura ocupando posição de destaque tanto no Brasil quanto no cenário internacional. O crescimento da produção de tilápias, impulsionado pela elevada demanda de mercado, acarreta o aumento da necessidade por ingredientes de alta qualidade nutricional nas rações, especialmente a farinha de peixe, reconhecida por seu elevado valor nutricional, porém limitada por custos elevados, impactos ambientais e dependência da exploração de estoques pesqueiros. Nesse contexto, o farelo de insetos desponta como uma alternativa sustentável e viável, capaz de substituir parcial ou totalmente a farinha de peixe, fornecendo proteína de alto valor biológico, lipídios essenciais e perfil aminoácido adequado às exigências nutricionais da espécie. O presente trabalho foi estruturado como uma revisão bibliográfica narrativa, com a inclusão de artigos científicos originais, revisões bibliográficas, dissertações, teses e trabalhos de conclusão de curso publicados no período de 2013 a 2025. O objetivo foi analisar os benefícios, limitações e perspectivas da utilização de farinhas de insetos na alimentação de tilápias, considerando aspectos nutricionais, zootécnicos, ambientais e econômicos. Os resultados evidenciam que, além de manter o desempenho produtivo, o uso de farelos de insetos contribui para a redução da pegada ambiental da aquicultura, por meio do aproveitamento de resíduos orgânicos em sistemas de economia circular e da diminuição da pressão sobre os estoques pesqueiros naturais. Sob a perspectiva da sustentabilidade global, a utilização de farinha de insetos apresenta alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, especialmente o ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável), ao fortalecer sistemas aquícolas mais eficientes e resilientes; o ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis), ao promover o uso racional de recursos e a valorização de resíduos; o ODS 14 (Vida na Água), ao contribuir para a conservação dos ecossistemas aquáticos; e o ODS 13 (Ação contra a Mudança Global do Clima), ao reduzir impactos ambientais associados à cadeia produtiva de rações aquícolas. Entretanto, a adoção da farinha de insetos em escala comercial ainda enfrenta desafios tecnológicos, regulatórios e econômicos, como a necessidade de padronização nutricional, garantia de estabilidade e qualidade do produto, regulamentação sanitária clara e redução dos custos de produção. De modo geral, a literatura indica que níveis moderados de inclusão de farelos de insetos nas dietas de tilápias são os mais adequados para equilibrar desempenho zootécnico, saúde dos animais e viabilidade econômica. Assim, conclui-se que o farelo de insetos representa uma alternativa estratégica para o futuro da piscicultura, ao integrar inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e competitividade econômica, embora sua consolidação como ingrediente estável em rações comerciais dependa de avanços científicos, regulatórios e de políticas públicas de incentivo.
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Tipo De Obra: TCC
Classificação Temática: MEDICINA VETERINÁRIA
Ano: 2025
Cutter: L864
Publicação: 02-01-2026
Nº Páginas: 35
Autores:
MARCOS PAULO AZEVEDO LOPES (---)

Orientadores: 
Dr(a) ANA PAULA PESSIM DE OLIVEIRA (Lattes)

Palavras-Chave: 
  • Alimentação de organismos
  • Criação aquática
  • Fontes proteicas
  • Produtividade zootécnica
  • Sustentabilidade ecológica
Keywords: 
  • aquaculture
  • Environmental Sustainability
  • Fish nutrition
  • Protein sources
  • zootechnical performance