O estudo analisa como a Psicologia pode sustentar a transição para a aposentadoria em um contexto de envelhecimento populacional acelerado. Trata-se de pesquisa qualitativa, de caráter descritivo e interpretativo, baseada em revisão bibliográfica e análise documental de programas de preparação para aposentadoria (PPAs) ofertados por instituições públicas de Pernambuco (IFPE, FUNAPE e UPE). Foram examinadas representações sociais da velhice, relações entre trabalho e identidade, concepções de aposentadoria como transição psicossocial e limites e potencialidades dos PPAs. Os resultados indicam que discursos que associam velhice à improdutividade contribuem para sentimentos de ruptura, perda de reconhecimento e apagamento simbólico após o desligamento laboral. Evidenciam também que os PPAs analisados avançam em aspectos informativos, mas ainda negligenciam dimensões emocionais, identitárias e relacionais. Em contraste, intervenções psicológicas individuais e grupais mostram-se eficazes na elaboração de perdas, na reconstrução de papéis, no fortalecimento de redes de apoio e na produção de novos sentidos para essa etapa. Conclui-se que aposentar não significa desaparecer, desde que haja suporte institucional e práticas psicológicas que reconheçam a velhice como fase ativa, legítima e produtora de significados.
ABSTRACT
The study analyzes how Psychology can support the transition to retirement in a context of accelerated population aging. It is a qualitative, descriptive, and interpretative research, based on a literature review and documentary analysis of Retirement Preparation Programs (RPPs) offered by public institutions in Pernambuco (IFPE, FUNAPE, and UPE). The study examined social representations of old age, relationships between work and identity, conceptions of retirement as a psychosocial transition, and the limits and potentialities of RPPs. The findings indicate that discourses associating old age with unproductivity contribute to feelings of rupture, loss of recognition, and symbolic erasure after leaving work. The results also show that the analyzed RPPs advance in informational aspects but still neglect emotional, identity-related, and relational dimensions. In contrast, individual and group psychological interventions prove effective in processing losses, reconstructing roles, strengthening support networks, and generating new meanings for this stage. It is concluded that retiring does not mean disappearin as long as there is institutional support and psychological practices that recognize old age as an active, legitimate, and meaning-producing phase of life.