As arboviroses representam uma persistente ameaça à saúde pública global, com particular
complexidade na Região Norte (RN) do Brasil. O presente artigo analisa a dinâmica epidemiológica da Dengue, Zika, Chikungunya e Febre Amarela no contexto amazônico. A metodologia baseia-se em uma revisão de literatura integrativa nas bases SciELO, LILACS e BVS, além de dados oficiais do Ministério da Saúde, abrangendo o período de 2019 a 2024. Os resultados da análise de 2024 destacam a sobrecarga de casos na Região Sudoeste com 4.382.275 notificações (63,81%), enquanto a Região Norte registrou 79.583 casos (1,16% do total). Na RN, a Dengue demonstrou maior prevalência com 56.058 casos (88,18%), seguida por Chikungunya (16.033 casos; 11,79%) e Zika (7.496 casos; 0,3%). Especificamente no Pará, a Dengue manteve a prevalência com 20.476 casos (72,19%). Ademais, o estudo indicou o predomínio do sexo feminino (22,15% dos casos) e maior incidência na faixa etária de adultos entre 21 e 39 anos (19,01%) evidenciando a coocirculação viral e a manutenção da endemicidade, impulsionadas pela interação de fatores ambientais (alta pluviosidade e temperatura), fatores socioeconômicos (urbanização desordenada, saneamento precário) e desafios logísticos (dificuldade de acesso a áreas remotas). A discussão aponta que a vigilância e o controle vetorial na RN exigem estratégias multissetoriais e adaptadas à realidade local, incluindo o uso de novas tecnologias e o fortalecimento da atenção primária. Conclui-se que o enfrentamento eficaz das arboviroses na Amazônia depende da superação das barreiras estruturais e da implementação de políticas de saúde pública que reconheçam a vulnerabilidade regional.