Este artigo descreve a contribuição do brincar livre para o desenvolvimento cognitivo e
socioemocional de crianças de três a quatro anos na educação infantil. Parte do problema
observado em turmas que encurtam o tempo de exploração espontânea, substituindo-o por
rotinas muito dirigidas e uso precoce de telas, o que restringe oportunidades de linguagem,
autorregulação, atenção conjunta e convivência entre pares. Tem como objetivo sistematizar
evidências recentes e propor orientações práticas para ampliar experiências lúdicas
autônomas nessa faixa etária. A justificativa apoia-se na necessidade de decisões
pedagógicas informadas por estudos atuais e coerentes com o direito à infância e com o ritmo
do desenvolvimento neuropsicológico. A pesquisa foi bibliográfica, com buscas em PubMed,
SciELO e Google Acadêmico (2021–2025), utilizando descritores em português e inglês
relacionados a brincar livre, educação infantil, funções executivas e autorregulação. Foram
incluídos estudos com amostras de 3–5 anos que descrevem ou testam atividades não
dirigidas em ambientes internos e externos; foram excluídos textos sem método e relatos
meramente opinativos. A leitura concentrou-se em objetivos, instrumentos, contextos e
resultados, reunindo ensaios, estudos quase experimentais, observacionais e revisões. Os
resultados apontam associação entre janelas diárias de brincadeiras autônomas —
especialmente ao ar livre e com materiais soltos — e ganhos em controle inibitório, memória
de trabalho, flexibilidade cognitiva, linguagem oral, autorregulação emocional, cooperação e
resolução de conflitos, com efeitos mais consistentes quando o adulto cuida da segurança e
da convivência sem dirigir o enredo. Recomenda-se reservar tempo protegido para
exploração, organizar espaços ricos em possibilidades, reduzir distrações visuais e sonoras e
adotar observação sistemática para acompanhar progressos e ajustar práticas. Como
limitações, destacam-se a heterogeneidade de medidas e a escassez de seguimento
prolongado; ainda assim, o conjunto oferece base útil para planejamento curricular, formação
docente e monitoramento de indicadores de engajamento e bem-estar.