As Infecções Sexualmente Transmissíveis, como o HIV e a sífilis, apresentam uma
expansão considerável entre adolescentes e jovens, tornando-se um desafio para a
saúde pública. Este estudo teve como objetivo analisar a evolução das notificações
de HIV e sífilis adquirida em adolescentes de 10 a 14 anos e jovens de 15 a 19 anos
no Brasil, no período de 2014 a 2024. Trata-se de um estudo ecológico, quantitativo,
baseado em dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de
Notificação (SINAN). Foram avaliadas notificações segundo faixa etária, sexo, região
e ano, além da construção de gráficos e modelos de séries temporais. Os resultados
demonstraram que a maior concentração de casos ocorreu na faixa de 15 a 19 anos,
especialmente entre o sexo feminino no caso da sífilis. A pandemia de COVID-19
ocasionou queda expressiva nas notificações em 2020, associada à redução da
testagem e à dificuldade de acesso aos serviços de saúde. Para ambos os agravos,
as projeções até 2030 indicam manutenção ou leve aumento dos casos,
evidenciando vulnerabilidade persistente entre adolescentes. Fatores como início
precoce da vida sexual, baixa adesão ao preservativo, desinformação e uso de
aplicativos de relacionamento contribuíram para esse cenário. Dessa forma,
evidencia-se a necessidade de ações integradas que incluam práticas preventivas,
expansão dos serviços de testagem, programas contínuos de educação sexual e
iniciativas voltadas ao letramento em saúde. Somente com esses esforços
combinados será possível reduzir as vulnerabilidades que atingem adolescentes e
fortalecer o enfrentamento das ISTs no Brasil.
Sexually Transmitted Infections (STIs), such as HIV and syphilis, have shown a
considerable increase among adolescents and young people, becoming a major
public health challenge. This study aimed to analyze the trends in notifications of HIV
and acquired syphilis among adolescents aged 10–14 years and young people aged
15–19 years in Brazil from 2014 to 2024. This is an ecological, quantitative study
based on secondary data from the Notifiable Diseases Information System (SINAN).
Notifications were evaluated according to age group, sex, region, and year, along
with the construction of graphs and time-series models. The results showed that
most cases occurred among individuals aged 15–19 years, particularly among
females in the case of syphilis. The COVID-19 pandemic caused a significant decline
in notifications in 2020, associated with reduced testing and limited access to health
services. For both conditions, projections to 2030 indicate stability or a slight increase
in case numbers, highlighting persistent vulnerability among adolescents. Factors
such as early sexual initiation, low condom adherence, misinformation, and the use
of dating apps contributed to this scenario. Thus, the need for integrated actions
becomes evident, including preventive practices, expanded testing services,
continuous sexual education programs, and initiatives aimed at improving health
literacy. Only through these combined efforts will it be possible to reduce
vulnerabilities affecting adolescents and strengthen the response to STIs in Brazil.