As fórmulas magistrais representam uma estratégia terapêutica essencial na
prática farmacêutica, especialmente no cuidado pediátrico, onde demandas específicas exigem
personalizações às quais a indústria farmacêutica nem sempre consegue atender. Crianças e
adolescentes apresentam diferenças fisiológicas significativas quando comparados aos
adultos, o que compromete o uso de medicamentos padronizados e pode limitar a adesão ao
tratamento. Objetivo: Investigar o papel do farmacêutico no uso racional de medicamentos na
população pediátrica, analisando sua atuação na prescrição, manipulação, orientação e
prevenção de práticas inseguras como a automedicação infantil. Metodologia: Trata-se de uma
revisão da literatura, método que possibilita a organização, interpretação e aplicação prática
dos achados disponíveis. Foram selecionados artigos publicados em português ou inglês que
abordam prescrição pediátrica, automedicação infantil e intervenções do farmacêutico na
atenção básica ou na farmácia comunitária. Foram excluídos 200 estudos anteriores a 2020,
pesquisas que não envolvem a população pediátrica. Resultados e Discussão: Os 5 estudos
finais analisados revelaram uso indiscriminado de antibióticos, prescrições sem justificativa
clínica adequada e alta frequência de automedicação por parte dos responsáveis. Também foi
observada grande demanda por preparações manipuladas, especialmente xaropes, devido à
falta de opções industriais adequadas para crianças. Em contrapartida, verificou-se que a
presença e atuação ativa do farmacêutico, seja revisando prescrições, orientando famílias,
produzindo formulações personalizadas ou participando da equipe multiprofissional,
contribuem significativamente para melhorar a segurança terapêutica, reduzir erros e
fortalecer o uso racional de medicamentos em pediatria. Os estudos reforçam ainda que
muitos responsáveis buscam o farmacêutico como fonte confiável de orientação,
demonstrando sua relevância no cuidado infantil. Considerações Finais: O farmacêutico atua
como agente essencial na garantia do uso seguro e racional de medicamentos na infância,
prevenindo riscos associados à automedicação, erros de dosagem e prescrições inadequadas.
Recomenda-se o fortalecimento de ações educativas, maior integração do farmacêutico nas
equipes de saúde e ampliação de estudos que explorem estratégias de intervenção
farmacêutica para reduzir práticas inseguras e promover cuidados mais eficazes.