A endometriose é uma doença ginecológica inflamatória crônica, benigna, estrogênio
dependente e de natureza multifatorial, que acomete principalmente mulheres em
idade reprodutiva. As causas da doença ainda não são totalmente determinadas, mas
a literatura aponta a influência de fatores ambientais, genéticos, anatômicos,
endócrinos e imunológicos. Dentre esses, destacam-se os fatores ambientais, pois
verifica-se que a adoção de determinados padrões alimentares pode tanto reduzir o
risco de desenvolvimento da endometriose quanto auxiliar no controle dos sintomas
clínicos em mulheres portadoras da doença. Considerando o contexto regional
amazônico, destaca-se a biodiversidade local como potencial aliada na promoção da
saúde de mulheres com endometriose. Diante da alta prevalência da endometriose,
tornou-se fundamental a mudança no estilo de vida, com a adoção de hábitos
alimentares saudáveis, por se tratar de uma alternativa acessível, de baixo custo e
com poucos efeitos colaterais. Este trabalho teve como objetivo analisar a relação
entre a alimentação e o controle dos sintomas da endometriose em mulheres
presentes na Instituição de Ensino Superior UniNorte, em Manaus, Amazonas. A
metodologia utilizada foi uma pesquisa de campo, realizada por meio de um
questionário estruturado, aplicado presencialmente a mulheres residentes em
Manaus, maiores de 18 anos, diagnosticadas com endometriose, que frequentam o
Centro Universitário do Norte – UNINORTE, em Manaus. O instrumento buscou
analisar a relação entre a alimentação e o controle dos sintomas da doença,
identificando padrões alimentares e sua relação com o manejo dos sintomas. Após a
aplicação do questionário, realizou-se a tabulação dos dados, com o objetivo de
organizar e facilitar a leitura e a análise dos resultados, utilizando-se planilhas no
programa Microsoft Excel. A pesquisa contou com a participação de 60 mulheres
diagnosticadas com endometriose, das quais a maioria apresentava idade entre 25 e
34 anos (41,7%). Em relação aos sintomas, 71,7% das participantes relataram dor
forte durante o período menstrual, e 68,3% faziam uso de medicamentos como parte
do tratamento. Sobre o conhecimento nutricional, 55% afirmaram saber que
determinados alimentos poderiam auxiliar no controle dos sintomas. No que se refere
ao consumo alimentar, 56,7% relataram ingerir alimentos que contêm glúten
diariamente, e 11,7% consumiam alimentos ultraprocessados todos os dias. Além
disso, 30% das participantes consumiam carnes vermelhas diariamente. A percepção
dos efeitos alimentares demonstrou que 80% das mulheres apresentavam distensão
abdominal após o consumo de glúten, alimentos ultraprocessados ou carnes
vermelhas. Quanto aos alimentos considerados protetores, 50% das participantes
consumiam frutas diariamente e 48,3% consumiam vegetais com a mesma
frequência. Em relação à suplementação, 68,3% faziam uso de ômega-3, vitamina D
ou outros suplementos. Já sobre a prática de atividade física, 16,7% relataram praticá
la uma vez por semana. Por fim, 98,3% das participantes acreditavam que a
alimentação influenciava diretamente o controle dos sintomas da endometriose.
Dessa forma, concluiu-se que o estudo atingiu seus objetivos ao demonstrar a relação
entre a alimentação e o controle dos sintomas da endometriose.