RESUMO
Esta pesquisa teve como objetivo analisar os desafios enfrentados por profissionais fonoaudiólogos no atendimento a pacientes com TEA não verbais. O estudo foi realizado com 15 (quinze) fonoaudiólogos de qualquer gênero, maiores de 21 anos, com formação superior completa em Fonoaudiologia, registro ativo no Conselho Regional de Fonoaudiologia (CRFa) e, no mínimo, 1 (um) ano de experiência clínica no atendimento com TEA. Participaram profissionais que atuam ou atuaram, nos últimos 12 meses, com pacientes com TEA não verbais; vinculados a uma das clínicas participantes do projeto na Região Metropolitana de Belém. A metodologia consistiu em um levantamento de dados realizado após a aprovação do projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UNAMA. As pesquisadoras convidaram individualmente os fonoaudiólogos e, aqueles que aceitaram participar, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Foi aplicado um questionário elaborado pelas pesquisadoras, composto por 10 perguntas fechadas e 2 perguntas abertas, com o objetivo de identificar as dificuldades enfrentadas por fonoaudiólogos na reabilitação de crianças com TEA não verbais, identificar as estratégias e abordagens terapêuticas utilizadas pelos profissionais fonoaudiólogos para estimulação da comunicação de crianças com TEA não verbais e investigar a percepção dos fonoaudiólogos sobre a eficácia dos métodos empregados no desenvolvimento da comunicação em crianças com TEA não verbais. A pesquisa apresentou riscos relacionados à possível quebra de sigilo e ao constrangimento. Contudo, todos os cuidados foram adotados para preservar a identidade dos participantes. Estes foram orientados sobre a não obrigatoriedade de responder a todas as questões e informados de que suas respostas seriam mantidas confidenciais e coletadas de forma anônima. Os questionários foram identificados apenas por símbolos, sem qualquer dado pessoal. Tanto os questionários quanto os Termos de Consentimento Livre e Esclarecido serão incinerados após 5 anos. Como benefício, o estudo oferece contribuições para a literatura científica sobre o tema e fornece subsídios para que gestores de clínicas e formuladores de políticas públicas possam desenvolver programas de apoio mais eficazes. A pesquisa poderia ser interrompida ou cancelada caso houvesse desistência de participantes em número suficiente para comprometer a amostra, situação que seria informada ao Comitê de Ética em Pesquisa da UNAMA. Os dados quantitativos foram analisados por meio de tratamento estatístico descritivo. Os dados qualitativos foram examinados mediante análise de conteúdo e posteriormente confrontados com a literatura científica. Os resultados serão encaminhados para apreciação em comissões de eventos científicos, bem como, publicações científicas para divulgação. Os achados evidenciaram forte convergência entre os dados quantitativos e qualitativos. Os profissionais descrevem o atendimento como desafiador, sobretudo pela dificuldade em interpretar formas alternativas de comunicação e pela necessidade de capacitação contínua. Os desafios são multifatoriais e envolvem aspectos clínicos, relacionais e estruturais, incluindo a falta de intervenção precoce e a baixa participação familiar. Conclui-se que, apesar dos desafios, a prática fonoaudiológica tem se apoiado em métodos validados, com destaque para o uso da ABA e da CAA, mantendo o compromisso com a singularidade das crianças não verbais com TEA e direcionando para o aperfeiçoamento das estratégias de intervenção.
ABSTRACT
This study aimed to analyze the challenges faced by speech-language pathologists when treating nonverbal ASD patients. The study was conducted with 15 speech-language pathologists of any gender, aged 21 years or older, with a university degree in speech-language pathology, active registration with the Regional Council of Speech-Language Pathology and at least one year of clinical experience in treating ASD. Professionals who work or have worked with nonverbal ASD patients in the last 12 months participated in the study; they are affiliated with one of the clinics participating in the project in the Belém Metropolitan Region. The methodology consisted of a data survey conducted after the project was approved by the UNAMA Research Ethics Committee. The researchers individually invited speech therapists, and those who agreed to participate signed the Free and Informed Consent Form. A questionnaire developed by the researchers was administered, consisting of 10 closed questions and 2 open questions, with the aim of identifying the difficulties faced by speech therapists in the rehabilitation of nonverbal children with ASD, identifying the therapeutic strategies and approaches used by speech therapists to stimulate communication in nonverbal children with ASD, and investigating speech therapists' perceptions of the effectiveness of the methods used in the development of communication in nonverbal children with ASD. The research presented risks related to possible breach of confidentiality and embarrassment. However, every precaution was taken to preserve the identity of the participants. They were advised that they were not obliged to answer all questions and informed that their answers would be kept confidential and collected anonymously. The questionnaires were identified only by symbols, without any personal data. Both the questionnaires and the Free and Informed Consent Forms will be incinerated after 5 years. As a benefit, the study contributes to the scientific literature on the subject and provides input for clinic managers and public policy makers to develop more effective support programs. The research could be interrupted or canceled if a sufficient number of participants withdrew to compromise the sample, a situation that would be reported to the UNAMA Research Ethics Committee. Quantitative data were analyzed using descriptive statistical treatment. The qualitative data were examined through content analysis and subsequently compared with the scientific literature. The results will be submitted for review by scientific event committees and scientific publications for dissemination. The findings showed strong convergence between quantitative and qualitative data. Professionals describe care as challenging, mainly due to the difficulty in interpreting alternative forms of communication and the need for continuous training.