A expansão das tecnologias digitais e o crescimento do consumo de mídias audiovisuais na primeira infância têm provocado transformações significativas nos modos de aprender, brincar e
interagir. Este artigo analisa, à luz de estudos contemporâneos sobre neurodesenvolvimento, cultura digital e cognição infantil, os efeitos dos estímulos audiovisuais de alto e baixo impacto presentes nos conteúdos consumidos por crianças, especialmente em desenhos animados. Fundamentado em autores como Santaella, Prensky, Fontanella, Moura, Silva e Castro, o estudo discute como mudanças geracionais, das crianças da Geração Z às da Geração Beta, influenciam formas de atenção, processamento simbólico, socialização e construção cultural. A pesquisa evidencia que os estímulos audiovisuais, caracterizados por variações de ritmo, intensidade sonora, velocidade narrativa e saturação de cores, repercutem no comportamento e no desenvolvimento cognitivo, podendo intensificar hiperexcitabilidade, reduzir a manutenção da atenção e alterar o modo como as crianças se relacionam com a realidade concreta. Por outro lado, conteúdos de baixo estímulo favorecem processos de calma, imaginatividade e consolidação de vínculos significativos. Ao analisar o consumo midiático infantil, o artigo demonstra que a mediação familiar e escolar é elemento central para equilibrar os impactos da cultura digital, uma vez que o uso de telas não é, por si só, prejudicial, mas exige intencionalidade educativa e acompanhamento sensível. Conclui-se que compreender os efeitos dos estímulos audiovisuais sobre o cérebro infantil é essencial para orientar práticas pedagógicas e sociais mais conscientes, capazes de integrar tecnologias ao desenvolvimento infantil de forma saudável e crítica