A saúde mental configura-se como um dos principais desafios da saúde pública brasileira, especialmente no âmbito da atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS), reconhecida como porta de entrada e eixo organizador do cuidado. A escassez de psicólogos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) compromete o acesso, o acolhimento e a continuidade do atendimento psicológico, contribuindo para o agravamento de transtornos como ansiedade, depressão e estresse, sobretudo em populações socialmente vulneráveis. O estudo caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória, desenvolvida por meio de uma revisão narrativa da literatura. Foram analisados livros, artigos científicos e documentos institucionais publicados entre 2008 e 2025, obtidos em bases como SciELO, PePSIC, Google Acadêmico, além de publicações do Ministério da Saúde, IBGE e Conselho Federal de Psicologia. Os achados evidenciam que a carência de psicólogos na atenção primária dificulta a identificação precoce do sofrimento psíquico, favorece a descontinuidade do cuidado e sobrecarrega serviços de média e alta complexidade, como hospitais e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Nesse contexto, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) destaca-se como uma abordagem breve, estruturada e baseada em evidências, mostrando-se compatível com a realidade do SUS, marcada por alta demanda e recursos limitados. Conclui-se que a ampliação da presença de psicólogos nas UBS, associada à incorporação da TCC como estratégia terapêutica na atenção primária, representa um caminho viável para fortalecer o cuidado psicossocial, promover intervenções preventivas e garantir maior integralidade na atenção à saúde mental no SUS.