O presente estudo visou analisar a experiência complexa que é “ouvir vozes”, tema que historicamente vem sendo reduzido a um sintoma clínico e associado a transtornos mentais pela psiquiatria tradicional. Desse modo, a proposta da pesquisa é a de oferecer aos estudantes e profissionais da Psicologia uma perspectiva mais direcionada dessa vivência, que se fundamentará em conceitos e princípios ligados à Fenomenologia. Na metodologia, buscamos elucidar a experiência de ouvir vozes, que virá a ser analisada sob uma perspectiva conceitual nos termos fenomenológicos, trazendo na metodologia uma abordagem qualitativa, documental, exploratória, de revisão narrativa de literatura. Considerando que ouvir vozes é uma experiência comum em diferentes contextos históricos, religiosos e culturais, também foi discutido como uma interpretação estritamente clínica e biomédica pode acarretar no incentivo ao estigma e sofrimento dos ouvidores. Dessa forma, destacamos os meios alternativos de enfrentamento, através de estudos ligados ao Movimento dos Ouvidores de Vozes, os quais valorizam a compreensão, acolhimento, diálogo e a autonomia dos participantes. Nesse contexto, a fenomenologia foi apresentada como referencial teórico para uma compreensão dessa experiência, priorizando uma narrativa dessa vivência, levando em consideração a intencionalidade da consciência, na forma como ela se manifesta no corpo e na própria alteridade do indivíduo. Com isso, ao estudarmos e pesquisarmos este tema, entendemos que quando a escuta se direciona a uma dimensão da vivência e da experiência, deixa de restringir a escuta a classificações pré-estabelecidas, abrindo espaço para acessar novas formas de compreensão mais humanas e atentas à alteridade, conforme foi estabelecido ao longo deste trabalho.