O envelhecimento populacional brasileiro tem se intensificado nas últimas décadas e evidencia a feminização da velhice, fenômeno marcado por desigualdades sociais e de gênero que atravessam o curso de vida das mulheres. Nesse contexto, o ambiente familiar, que deveria ser espaço de proteção, cuidado e pertencimento, torna-se também um cenário onde muitas mulheres idosas vivenciam processos de invisibilidade, desvalorização e silenciamento, afetando diretamente sua saúde mental. Diante dessa realidade, este estudo teve como objetivo analisar como a invisibilidade familiar impacta psicologicamente mulheres idosas. Para isso, foi realizada uma revisão integrativa da literatura, contemplando artigos publicados entre 2020 a 2025 em bases de dados nacionais, utilizando critérios definidos de inclusão e exclusão e seguindo etapas metodológicas sistematizadas. Os resultados evidenciaram que a invisibilidade se manifesta por meio da perda de autonomia, da negligência afetiva, da exclusão das decisões familiares e da naturalização do etarismo, além de se relacionar a múltiplas formas de violência, muitas vezes silenciosas e normalizadas no ambiente doméstico. A análise mostrou que essas vivências resultam em sentimentos de solidão, tristeza, baixa autoestima, ansiedade, depressão e percepção reduzida de utilidade social. Também se observou que, apesar das adversidades, fatores como apoio familiar, participação social, fortalecimento de vínculos afetivos e acesso a intervenções psicológicas contribuem significativamente para a proteção emocional e a promoção de um envelhecimento mais digno. A discussão indica que enfrentar a invisibilidade familiar exige o reconhecimento das especificidades do envelhecimento feminino, o combate aos estereótipos de gênero e idade e a implementação de ações intersetoriais que envolvam família, sociedade, serviços de saúde e políticas públicas. Conclui-se que dar visibilidade à mulher idosa é condição fundamental para assegurar sua autonomia, participação e bem-estar psicológico.